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Cenas que fizeram história

Luiz Carlos Merten

23 Outubro 2016 | 01h17

Vou dar um tempo na Mostra, um intervalozinho. Nada faz mais sucesso que lista na rede. A nova edição da revista Total Film – outubro – chegou às bancas da Paulista, com algum atraso, claro. Tudo o que você vai querer saber sobre o próximo Star Wars, Rogue One, que está sendo realizado por Rian Johnson, incluindo o Fantastic Five, os cinco filmes que foram suas referências para o novo episódio da saga. Aguardem que conto tudo! A revista publica uma lista com 100 grandes momentos do cinema, ever. 100 greatest movie moments. 1, o discurso de Russell Crowe no Coliseu, quando o imperador (Joaquin Phoenix) ordena que o gladiador tire a viseira e aparece… “Eu sou Maximus Decimus Meridius, comandante dos Exércitos do Norte, general das legiões Félix, leal servidor do verdadeiro imperador, pai de um filho assassinado, marido de uma mulher assassinada. E eu terei minha vingança, nessa vida ou na próxima.” Conta a lenda que Crowe se recusava a dizer a última frase. Achava lixo. Terminou dizendo. O filme ganhou o Oscar, ele também, outros três prêmios da Academia nas categorias técnicas, mas direção e roteiro, neca. Crowe não deixou por menos – “Sou o maior ator do mundo. Consigo até fazer com que o lixo pareça bom…” o 3 da lista é O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, o primeiro da saga. A cabeça do cavalo na cama do produtor, para convencê-lo a dar um, papel de ator ao afilhado do padrinho, episódio inspirado em Francis Albert Sinatra, ou Frank Sinatra. a cena foi ensaiada com uma cabeça sintética, mas, na hora H,. com o ator de olhos fechados, simulando que dormia, Coppola trocou por uma cabeça de cavalo de verdade, adquirida num matadouro. O ator – Johyn Marley – tomou o maior susto, e a cena ficou mais impressionante. Só como curiosidade, a revelação do mistério de Rosebud, no desfecho de Cidadão Kane, de Orson Welles, ficou em 8.º, o assassinato de Marion Crane na ducha em Psicose, de Alfred Hitchcock – uma das cenas mais imitadas do cinema -, em 19.º e Robert De Niro no espelho, ‘you talkin’ to me?’ em Taxi Driver, de Martin Scorsese, 90-.º. O incrível é que, de 100 momentos, 96 são de Hollywood, ou pelo menos de cinema de língua inglesa. Não ingleses só a partida de xadrez do cavaleiro com a morte em O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, em quarto, o ‘catbus’ de Meu Amigo Totoro, do animador japonês Hayao Miyazaki, 53.º, Anita Ekberg e Marcello Mastroianni na Fontana di Trevi em A Doce Vida, de Federico Fellini, 77.º, e a a escadaria de Odessa, de O Encouraçado Potemkin, de Sergei M. Eisenstein – que Eric Hobsbawm definiu como os sete minutos mais influentes do cinema -, em 85.º! Ou seja, um desprezo completo pelo cinema do mundo, que eventos como a Mostra celebram.