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Luiz Carlos Merten

07 Dezembro 2007 | 09h05

Fui ontem a São Roque, menos para participar, como jornalista do Congresso Brasileiro de Cinema (e não Congresso do Cinema Brasileiro, como escrevi ontem) e sim, como convidado para uma happy hour que marcou o lançamento do livro ‘Cinco Mais Cinco’. Marco Didonet, da Total Filmes e do Festival do Rio, mentor do livro, havia feito pela manhã uma intervenção no CBC, falando sobre a possibilidade de co-produções internacionais, e à tarde tivemos a happy hour, que foi muito legal, regada a vinho. Acompanhei, para o jornal, os primeiros congressos e eles foram importantes, mas ontem senti, não sei, um esvaziamento. Havia pouca gente – muitos devem estar chegando hoje -, mas a verdade é que hoje parece existir um movimento no sentido de setorizar o debate. Existem associações de roteiristas, diretores, fotógrafos, documentaristas que levam as questões específicas dessas categorias, o que me parece legítimo, mas não se pode perder de vista que o congresso, como um todo – um guarda-chuva – deveria levar o coletivo, porque ainda existem (e como!) questões importantes para debater, principalmente neste momento de refluxo de público nos cinemas (e também quando surge a TV pública). Sei que tem gente que detesta quando falo de mercado, economia e política do cinema, mas são questões que não podem ser ignoradas. Não deve ser mera coincidência que Luiz Carlos Barreto, um dos caciques do cinema brasileiro, esteja chamando para um encontro em Búzios, amanhã e domingo. O que é isso? Algum confronto? Para tornar o post mais atraente para os que só querem discutir a estética do cinema – ouvi que o Brasil terá dois participantes já confirmados no Panorama do Festival de Berlim, em fevereiro (‘Tropa de Elite’ e ‘Estômago’), com a possibilidade de um terceiro na mesma seção. Espero não complicar as negociações de Bruno Barreto, mas me garantiram que só depende de ele finalizar ‘Ônibus 174’ para ter sua ficção na disputa pelo Urso de Ouro. Berlim, que ocorre em fevereiro, vai dar a Francesco Rosi um Urso de Ouro de carreira, reservando a retrospectiva para Luís Buñuel. O festival, considerado o mais politizado do mundo, promete.

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