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Luiz Carlos Merten

12 Fevereiro 2007 | 15h47

BERLIM – Existem coisas que eu escrevo aqui no blog e, depois, fico pensando – como pude? Em geral sao coisas que nao comento, por pudor ou seja lah o queh. Jah falei aqui do meu defeito fisico. Soh se eu fosse louco para nao admitir que ele me cria certas limitacoes (mas soh eu sei quais sao). Profissionalmente, nao deixa de ter seu lado positivo (embora eu nao saiba se eh mesmo essa a palavra). Entrevisto muitas celebridades, digamos assim, que estao sempre na midia, confrontadas com representantes da imprensa de todo o mundo. Eu termino sendo facil de lembrar, ou mais facil. Tive hoje, mais uma vez, a confirmacao. Entrevistei Cate Blanchett, por Notes on a Scandal, e ela me reconheceu imediatamente. Haviamos falado por ocasiao de Procuradas, o western de Ron Howard, que eu considero o melhor filme do diretor, mas foi, talvez, seu unico fracasso de publico, o que ele proprio havia antecipado, dizendo que havia feito o filme para ele e que o dinheiro que seu produtor, Brian Glazer, ia perder ele tambem iria recuperar com O Codigo da Vinci. Comentei isso com Cate e ela disse que eh frustrante acreditar num projeto e, depois, ve-lo diluir-se, sem alcancar a receptividade que a gente esperava. Fiz todas as minhas objecoes a Notes, o Atracao Fatal de 2007, e Kate me ouviu, embora nao concordando. Cate me contou coisas maravilhosas. Me disse que a selecao de atrizes do Oscar deste ano eh a melhor em decadas. Tambem disse que, ateh por sua formacao teatral, nao eh do tipo que gosta de improvisar, soh se for muito necessario para o clima da cena. Notes on a Scanal foi muito respeitoso com o texto (o roteiro). Babel foi mais improvisado e, mais ateh do que improvisado, baguncado. Cate acha que Inarritu quis fazer um comentario sobre o mundo atual e conseguiu. Relatou a cena em que sua personagem, aqos o tiro acidental, eh levada para aquele lugarejo no deserto que nao tem medico, apenas um veterinario. O set era uma demencia. Gente de diversas linguas e culturas. O medico nao era um ator, mas um veterinario de verdade. Quando ele chegou com a agulha para costura-la, Cate disse que foi tomada pelo panico. Ele nao entendeu o espirito, vai me costurar de verdade, pensou. Seu terror era legitimo. Terminou servindo ao filme, mas ela prefere quando usa somente sua tecnica como atriz, como em Notes on a Scandal, que trata de uma serie de temas polemicos (adulterio, abuso sexual, lesbianismo). Cate nao teve medo de encarar o paqpel, com toda a exposicao a que a submetia? Nao, porque tinha o diretor Eyre e a colega Judi Dench, que haviam feito Iris. Cate concorda que atores sao vaidosos, mas eh comovente ve-lsa manifestar sua admiracao (como se fosse uma fah) por Judi Dench. Judi eh a prova, segundo Cate, de que nao existem limites nem restricoes para grandes atrizes. Sem nenhum prejuizo da idade, Judi ousa e encontra diretores que acreditam nela. Cate acrescentou que soh espera chegar aa idade de Judi sendo sexy como acredita que ela eh.

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