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Luiz Carlos Merten

16 Junho 2007 | 11h54

Falando do casal de aristas e amantes de Romance, seu novo filme, Guel Arraes evocou os casais míticos do cinema. Domingos e Leila – Domingos de Oliveira e Leila Diniz -; Godard e Anna Karina; Truffaut e Fanny Ardant. A lista é muito maior e incluiria, acrescento eu, o próprio Guel com Virginia Cavendish, que é um mulherão em Lisbela e o Prisioneiro. Recuando bastante no tempo, eu chegaria a Joseph Von Sternberg, quando esculpiu o mito de Marlene (Dietrich), e a Rossellini, que teve uma fase para cada mulher, conforme já comentei, sendo a mais famosa a com Ingrid Bergman. Bergman, Ingmar, foi outro que fez diversos filmes para cada uma de suas mulheres. Quando se separava, elas nunca eram desligadas de seu elenco. Até nisso artistas são seres especiais. Nos casais mais comuns, quando termina o amor em geral começa a guerra. Lembro-me de Bergman, na sua autobiografia, A Lanterna Mágica, falando de Harriet Andersson em Mônica e o Desejo. Anos mais tarde, ele fez dela a mulher que está morrendo de Gritos e Sussurros, um daqueles filmes, de Bergman ou de qualquer outro grande autor, que justificam o cinema – embora dele eu prefira Morangos Silvbestres. Quando postei, no outro dia, o texto sobre O Grande Ditador e dei aquele título – Hannah! Hannah!- , me lembrei do velho professor Isak Borg no jardim de sua juventude, chamando pela mulher que amou e que também se chamava Hannah. Havia ali alguma homenagem secreta? Bergman diz que Harriet foi um furacao que assolou o cinema e o teatro suecos. Emancipada, foi para a cama com todo o mundo, mas ele não conta isso para sugerir que fosse promíscua. Era hedonista, liberada, libertária. Harriet é sublime em cada um de seus filmes com Bergman – mas, falanmdo francamente, qual atriz não é? Engraçado é que uma coisa leva a outra e falando no professor Borg me lembrei de outro professor, o interpretado por Burt Lancaster em Violência e Paixão, do Visconti. Aparece num flash-back a imagem de Claudia Cardinale, como a ex-mulher dele. Claudia diz alguma coisa. No presente, o velho Professor abre os braços, num gesto de desalento. Visconti não precisa dizer mais nada para que a gente saiba tudo sobre o casal. Grande cinema!