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Luiz Carlos Merten

18 Fevereiro 2007 | 09h39

BERLIM – O festival terminou ontem aa noite, com a premiacao que voces sabem, mas ainda nao terminou para mim. Esqueci-me de dizer que o jurih presidido por Paul Schrader, apostando no novo, deu seu Alfred Bauer Prize, em homenagem ao criador da mostra berlinense, a um filme particularlemze inovador e o escolhido foi o decepcionante I´m a Cyborg but It´s OK, o novo Park Chan-wook. Gosto muito de Old Boy e Lady Vengeance, mas este aqui achei muito ruim, pop demais para o meu gosto. Por falar em pop, no penultimo dia passou Hallam Foe, de David MacKenzie, do qual, ateh para minha surpresa, gostei bastante. A historia trata de juventude e voyeurismo e eh interpretada por Jamie Bell, que estah virando, cada vez mais, um ator cult (e ele eh mesmo muito bom). Hallam Foe ganhou o Urso de Prata para a melhor musica e MacKenzie subiu ao palco do Palast para dizer que havia escolhido soh musica pop conhecida, com excecao de duas cancoes que foram compostas para o filme pelos garotos do Franz Ferdinand (que subiram com ele ao podio). Achei o filme bem legal. Tem humanidade e eu, particularmente, me interessei pelo personagem, que inicia uma relacao com mulher sexy e mais velha que lhe lembra a mae que morreu (e que ele acha que a madrasta matou). Parece morbido, mas voceh vai ver que nao eh. Hoje, o festival continua com reprises e apresentacoes especiais. Tirei ingresso para ver dois filmes – El Telon de Azucar, de Camila Guzman Urzua, filha do diretor chileno Patricio Guzman. Fiquei curioso de saber o que Camila tem a dizer sobre Cuba, que fornece o telon de azucar para seu filme. Outro que quero ver eh Luo Ye Gui Gen, de Zhang Yang. Vou ver se ainda encontro mais alguma coisa, que prometo comentar. Amanhah, inicio o caminho de volta, com uma passagem por Paris. Gosto muito do Festival de Berlim. Acho que nao eh soh importante profissionalmente. Do ponto de vista humano e politico, tambem me enriqueco com as discussoes que saem por aqui. Walter Salles e Gael Garcia Bernal deram master classes lindas no Talent Campus, para estudantes de cinema. Eh impressionante como a garotada gosta do Walter. Foi a mesma coisa em Tessalonica, na Grecia, no ano passado. Nao sei se a gente dah a Waltinho seu devido valor, no Brasil, mas eh sair daih e ele vira mito para tanta gente fora (do Pais) que isso me impressiona. Mas o que queria dizer eh o seguinte – amo Berlim, mas estou morrendo de doh de o festival, este ano, ter coincidido com o carnaval. Quem me conhece sabe que sou doido por carnaval. Jah desfilei pela Mangueira, no Rio, e pela Mocidade Alegre, em Sao Paulo. Quem sabe no ano que vem eu nao esteja de volta aa avenida?