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Luiz Carlos Merten

16 Julho 2012 | 16h02

Olá! Começar por onde? Desde sábado não conseguia entrar no meu blog para postar. Como estava cheio de coisas – teatro, cinema, leituras –, aproveitei o período sabático, mas hoje, de volta à redação, queria postar e não consegui. Tive de assessar a técnica, para tentar resolver o problema. Vamos por partes. Na sexta, não esta, a anterior, havia me enganado de vdata e feito uma matéria para o ‘Caderno 2’, que tive de derrubar. Era sobre o programas dedicado a Carlos Reichenbach, na Sala Olido. Troquei 14 por 7 e descobri, a uma hora do fechamento, que a data não bastia. Por um lado foi bom, porque, para substituir, produzi correndo um texto sobre ‘O Abrigo’, do Jeff Nichols. Na quarta e quinta, estava no Rio e, como a matéria estava pronta, meu editor, Ubiratan Brasil, desovou-a e colocou na edição de sexta. Até aí, tudo bem. O caso é que, checando a programação do Festival Latino-Americano no sábado, descobri que a Sala Cinemateca, num ciclo intitulado Boca em Roterdã, apresentava ‘Lilian M’, que perdi na Virada Cultural, no antigo (fechou) cinema Windsor. A propósito, um leitor me ligou para lembrar que a sala pornô da Ipiranga havia sido inaugurada com um filme mexicano, ‘Eu Pecador’, de Alfonso Corona Blake, com Libertad Lamarque, Pedro Armendáriz e um ator e cantor brasileiro, Pedro Geraldo, que contava a história do frei José Francisco Mojica Guadalupe que eu, como milhares (milhões?) de brasileiros acompanhei em capítulos na antiga revista ‘O Cruzeiro’. Enfim, desviei do assunto, mas lá me fui à Cinemateca para ver ‘Lilian M’, que me pareceu datado, com mais defeitos do que qualidades de outros filmes da época, mas do qual não consegui desgrudar, porque a profusão de gêneros e a atriz (Célia Olga Benvenutti) me prenderam. Abro outro parêntese. Quando conversava com Walter Hugo Khouri, mais do que da inserção de nus apelativos em seus filmes de indagação existencial na série que chamava de ‘marcelhal’, com o personagem Marcelo, ele reclamava da pão-durice dos produtores da Boca, que se manifestava, entre outras coisas, em figurinos cafonas. Aquelas calças boca-de-sino e os estampados dos vestidos das atrizes realmente doem nos olhos, e no filme do Carlão são de matar. Mal comparando, Khouri tomava sempre como modelo o figurino de Monica Vitti na trilogia da solidão e da incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni, dizendo que aqueles tailleurs e pretinhos básicos seriam modernos um século depois. O lançamento de ‘A Aventura’, “A Noite’ e ‘O Eclipse’ pela Versátil, 50 anos depois, confirma que ele estava absolutamente certo. Da Cinemateca, corri – modo de dizer, porque não conseguia táxi – para a Sala Olido, onde queria rever ‘Alma Corsária’, mas pude ver só um pedaço do filme. Curioso – aquela cena do pianista remete à do balé do filho cafajeste do amante de Lilian (Maria). Enfim, gostei de rever os filmes do cineasta que morreu no mês passado e confesso que me surpreendi, à noite, quando fui ver o “Augustas’ de Francisco César Filho, no Festival Latino. Não sabia que o filme começava com aquela homenagem a Carlão, mas aí ocorreu a coisa mais esquisita do mundo. As poltronas do Memorial agora são numeradas – ou sempre foram, mas eu nunca soube, sentando em qualquer lugar. Desta vez, não dava e o lugar que me foi designado no ingresso, B33, não me agradava, muito cheio de gente, era onde estava a maior concentração de público. Esperei começar (com meia hora de atraso!) e sentei numa lateral, mas inacreditavelmente, estava próximo ao alto-falante, dava uma reverberação dos infernos e eu não conseguia ouvir nada. Mudei de lugar uma ou duas vezes e simplesmente não ouvia. Cheguei a pensar que estava surdo – mas como, se tinha ouvido bem os filmes do Carlão? Terminei desistindo, porque achei que seria prejudicial para o filme. ‘Augustas’ continua inédito para mim. Socorro! Será que o pesadelo vai se repetir com o filme de Tata Amaral amanhã à noite, também no Memorial?