Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Capitalismo em ação

Cultura

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cultura

Capitalismo em ação

Luiz Carlos Merten

17 Maio 2010 | 10h01

CANNES – Fiz uma ótima entrevista agora de manhã com o diretor alemão Christoph Hochhausler. Ainda não havia falado do filme dele, mas ‘The City Below’, na mostra Un Certain Regard, talvez seja o que ‘Wall Street – Money Never Sleeps’ deveria ter sido, como olhar sobre o mundo do poder e das finanças, e isso por mais que tenha condsiderado o filme de Oliver Stone interessante. Mas confesso que o entusiasmo caiu sensivelmente, depois do filme alemão. ‘The City Below’ é o terceiro de três filmes que investigam esse universo e tentam iluminar a grande crise financeira no final de 2008. Os outros dois são o de Stone e o documentário ‘Inside the Job’, de Charles Ferguson, que deveria ser lançado simulraneamente com ‘Money Never Sleeps’, para esclarecer tudo aquilo que fica apenas sugerido ‘chez’ Stone. ‘Wall Street 2′ vê  grande crise pelo ângulo de um drama familiar, envolvendo Gordon Gekko, isto é, Michael Douglas, e sua filha, Carey Mulligan, que possui uma ONG e se liga ao jovem corretor interpretado por Shia Lebeouf. O filme alemão também se vale de uma situação familiar, ou privada, para revelar o público. A origem, segundo o próprio Hochhausler me contou, foi o conto bíblico do rei Davi, não o que enfrentou (e venceu) Golias,. mas o que enviou seu general para a frente de batalha para poder ficar com sua mulher, Betsabá’. Na história, o CEO de um grande conglomerado aproveita uma crise no outro lado do mundo e envia um de seus executivos para apagar o incêndio. Isso, ao mesmo tempo, lhe deixa o campo livre para avançar sobre a mulher do cara. ‘The City Below’ é muito interessante – muito bem filmado e interpretado – e eu acho que, no fundo, é mais forte do que ‘Wall Street 2’, embora lhe falte um personagem emblemático como Gordon Gekko – ou um astro como Michael Douglas – para atrair o público. Quanto a ‘Inside the Job’, nenhum outro filme mostrou – nem o Michael Moore ‘tendencioso’ de ‘Capitalismo, Uma História de Amor’, como os CEOs sabiam da crise que se avizinhava e nem por isso deixaram de usurpar o dinheiro dos pequenos investidores. No final ‘socializante’ do governo George W. Bush – que jogou bilhões de dólares na economia para salvar empresas privadas, claro que sem isso o sistema todo iria para o buraco -, o que o documentário de Ferguson mostra é que os pobres perderam dinheiro e os executivos ganharam seus prêmios, como se, em vez de afundar, tivessem salvado a economia. Muito bom e, neste caso, os defensores do livre mercado – que só é ‘livre’ quando lucrativo, na hora do prejuízo todo mundo arca com ele -, nem vão poder dizer que o diretoF é cria de Michael Moore, porque Charles Ferguson não é.

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Encontrou algum erro? Entre em contato