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Luiz Carlos Merten

28 Maio 2010 | 09h27

Westerns, filmes de guerra. Samuel Fuller iniciou sua carreira pelo cinema de gênero. ‘Matei Jesse James’, ‘O Barão Aventureiro’, ‘Capacete de Aço’, ‘Baionetas Caladas’.  Aliás, não apenas ‘iniciou’. Fuller permaneceu ligados aos gêneros – thrillers, até melodrama. Cheguei ontem em casa e me aguardava o DVD de ‘Capacete de Aço’, The Steel Helmet, que Fuller realizou em 1950/51′, com Gene Evans como sargento durão na Guerra da Coreia. Anos mais tarde, Fuller definiu, para Godard – em ‘O Demônio das Onze Horas’ (Pierrot le Fou) -, o cinema como um campo de batalha. Em seus filmes de guerra, não existe heroísmo. A guerra é sórdida, cruel, o grande desafio nela é sobreviver. Fuller fazia cinema como quem fazia a guerra. O importante era ser um sobrevivente em Hollywood. É famosa sua frase – ‘A maioria dos filmes é feita por dinheiro. Uns 5% deles devem ser feitos porwque um homem (o diretor) tem uma ideia na qual acredita. Nunca fiz um filme porque as circunstâncias me obrigassem a fazê-lo. Fiz porque queria. Tinha uma história e queria contá-la.’ Grande Fuller. ‘Capacete de Aço’ ainda não é um de seus grandes filmes de guerra – ‘Mortos Que Caminham’, ‘Agonia e Glória’ (The Big Red One). Mas a essência já está lá. Fuller, rapidamente, dizia a que vinha. Virou ídolo, não por acaso, da geração nouvelle vague.