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Luiz Carlos Merten

28 Setembro 2006 | 11h57

Encontrei Brenno Silveira na entrada do Hotel Meridien, após a entrevista com Iñárritu. Ele estava vindo do Morro do Cantagalo, onde 2 Filhos de Francisco teve uma exibição armada pelo Festival do Rio. Brenno estava em estado de graça, um pouco pela reação do público, mas também porque anunciou que seu próximo filme, que começa a rodar em abril do ano que vem, será filmado, em parte, justamente ali. As pessoas ficaram tão fascinadas que imediatamente o carregaram para um tour pela favela, para que ele sentisse o clima do morro. O filme será uma fábula. Brenno trabalha com o título provisório de Era Uma Vez no Rio. No final, acredita que ficará somente Rio de Janeiro. A cidade será uma personagem importante, como os dois adolescentes, a menina de Copacabana e o boy de Cantagalo, que se conhecem na praia. Brenno acha que isso é uma coisa muito carioca. A praia permite a interação e o abismo entre o morro e o asfalto só se manifesta quando as pessoas saem da areia. O fato de narrar uma história de amor não significa que ele não vá fazer um filme crítico. Brenno desenvolveu o personagem do garoto com Paulo Lins. Quando leu Cidade de Deus, ele correu para o escritor, querendo comprar os direitos, mas já haviam sido vendidos para o Fernando Meirelles. “Graças a Deus, porque o Fernando fez uma obra-prima!”, diz Brenno. Agora é ele que vai para a favela. Está entusiasmado. Pode vir coisa boa daí.