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Cannes (4)/Ciro Guerra e um belo primeiro filme do Egito

Luiz Carlos Merten

09 Maio 2018 | 20h11

CANNES – Foi um dia tão agitado que só agora, no fim da noite, vou dar uma geral para informação dos cinéfilos. Não fui dos que não gostaram de Todos Lo Saben. Asghar Farhadi retrabalhou temas de O Passado na Espanha e fez seu filme mais de gênero. Talvez não seja – não é – o melhor, mas tem classe. Na coletiva, Javier Bardem disse que ‘esse homem’, um iraní (Asghar), fez um dos filmes mais espanhóis da história. E Penélope, tentando explicar como isso foi possível, contou que, há cinco anos, Farhadi já vinha falando com eles sobre o projeto. Há dois, mudou-se para a Espanha e contratou um coach para ficar perto da cultura e aprender a língua. Ciro Guerra, de O Abraço da Serpente. inaugurou a Quinzena com seu novo longa, Pássaros do Verão, correalizado por Cristina Gallego, que produziu seus filmes anteriores. Uma história do início do narcotráfico, corrompendo a cultura dos índios Wayuu, da Colômbia. Muito bom. Todo ano a Quinzewna homenageia um diretor importante com o troféu Carrosse D’Or, que evoca o clássico de Jean Renoir. Este ano, foi Martin Scorsese. ‘Marty’, que foi quem abriu o festival deste ano com Cate Blanchett, presidente do júri e sua atriz (oscsarizada) de O Aviador, lembrou sua primeira vez na Croisette – em 1974, com Mean Streets/Esquinas Perigosas, em companhia do amigo De Niro. Lembrou que, naquele tempo, o festival não era tão business, mas agradeceu por estar aqui de novo. Tinha um monte de matérias para o Caderno 2 de amanhã, o que me ausentou do blog, mas das salas. Não podia perder o egípcio Yomeddine, de A.B. Shawky. É o único primeiro filme da competição e o próprio Thierry Frémaux declarou-se ‘très fier’, muito orgulhoso, da sua inclusão. Um leproso atravessa o país em companhia de um garoto órfão. A escória do mundo. Impressionante como o cinema ainda tem capacidade de nos surpreender, e emocionar. A gente só precisa de um pouco de abertura para o outro, claro.