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Cannes (3)/Primeiro dia, com as mudanças, foi caótico

Luiz Carlos Merten

08 Maio 2018 | 19h27

CANNES – A se julgar por esse primeiro dia, minha vida de repórter vai ser um inferno na 71.ª edição do Festival de Cannes. Venho aqui há bem uns 25 anos – não ininterruptos, porque perdi duas edições no período. A dinâmica era sempre a mesma. A imprensa via os filmes primeiro, participava das coletivas. O problema é que, com o desenvolvimento do online, ao chegar para a gala dos concorrentes, o público já sabia o que pensara a crítica. Agora, somos obrigados a ver juntos os filmes – mesmo que em salas separadas. Só que, para chegar ao filme dop Asghar Farhadi, marcado para 19h15 daqui, tivemosd de esperar perla cerimônioa de abertura. Edouard Baer foi o apresentador. Ele também escreveu os textos, pegando carona no caertaz qwue homenageia Jean-Luc Godard – Pierrot le Fou – e na presença de Anna Karina no Grand Théâtre Lumière. Nem sempre via a abertura. Dessa vez, tive de. Gostei. O cara é bom. E veio o Asghar Farhadi. O Passado, segredos de família, na Espanha. Um sequestro leva à implosão desse universo familiar precário. Não é um grande Farhadi, como A Separação e O Apartamento, mas algumas coisas me pegaram. Não me decepcionei completamente, mas foi uma espécie de anticlimax. A coletiva será amanhã, batendo com o Ciro Guerra na Quinzena dos Realizadores. Fui olhar a programação e tomei um choque. De novo teremos um dia meio vazio – tarde praticamente livre – e a partir das 18 h acúmulo de programas, sem tempo de ir ao banheiro. Ou a gente se planeja e acostuma, ou vai ser um caos completo.