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Cannes (2)/Um dia modorrento; onde a agitação cannoise?

Luiz Carlos Merten

08 Maio 2018 | 12h31

CANNES – Nada de novo, nem muito interessante, na coletiva do júri. Talvez para compensar que a competição deste ano tenha tão poucas mulheres na disputa pela Palma de Ouro, Cannes organizou um júri predominantentemente feminino. Mulheres, 5 a 4, incluindo a presidente, Cate Blanchett. Os homens incluem conhecidos diretores – Denis Villeneuve, Andrey Svyagintsev, Robert Guédiguian. Cate lamentou a baixa representatividade das mulheres no cinema atual, mas, de resto, nem ela nem seus colegas defendem uma Palma de Ouro de gênero. O prêmio tem de ser para o melhor filme, e o que é esse hipotértico melhor filme? Um que apanhe o público pelo coração mas resista a uma análisae mais elaborada, que espelhe o mundo? O que seria uma Palma justa? Para chegaremos a essa escolha teríamos de passar, talvez, pela pergunta na capa da Cahiers acho que de março – Porquoi le cinéma, Por que o cinema? É muita coisa para pensar nesse primeiro dia, que, além de tudo, está sendo atípico. Pelas novas regras – a crítica vai ver os filmes com o público da gala – o dia está sendo morto. Apenas um filme, à noite e, para complicar, como é feriado – 8 de maio, a vitória dos aliados na 2.ª Guerra -, a cidade passa essa sensação de parada. A animação virá, espero, do Asghar Farhadi. Depois eu conto.