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Cannes! (18)/O anjo da guarda que vela sobre Cannes

Luiz Carlos Merten

23 Maio 2015 | 20h04

CANNES – Achei emocionante a cerimônia de encerramento de Um Certain Regard – até o anúncio dos prêmios. Foi lindo ver Isabella Rossellini, presidente do júri, agradecer a Thierry Frémaux por haver colocado a imagem de sua mãe, Ingrid Bergman, no cartaz do 68.º festival. “Ma maman, tel um ange gardien du festival et des cinéphiles’, Minha mamãe, feita anjo da guarda do festival e dos cinéfilos. Comemora-se neste domingo, nas França, data de encerramento do maior festival do mundo, o Dia das Mães. Pode ter sido coincidência, mas tudo se conjugou. O júri de Um Certain Regard, integrado pelo ator de Um Profeta, Tahar Rahim, outorgou um monte de prêmios. Retive os mais importantes. Kyioshi Kurosawa venceu o prêmio de direção da seção por Kishibe no Tabi/Vers l’Autre Rive. Não é um de meus filmes preferidos, mas fiz uma boa entrevista com ele. Um filme sobre fantasma e a passagem para o outro ladsio, que procura provocar mais encantamento que sustos. Isabella e seu júri poderiam ter premiado Naomi Kawase (Na), Apíchatpong Weerasethakul (Cemetery of Splendour) ou o mexicano David Pablos (Las Elegidas), mas preferiram dar o prêmio de Um Certo Olhar para o islandês Grímur Hákonasrsdon, de Rambs/Bélier/Ovelhas, sobre dois irmãos separados há mais de 40 anos e que finalmente precisam se (re)unir num momento de crise. O filme é bom, mas não muito bom. Havia coisas muito mais interessantes para destacar. O festival está terminando. Já estou vivendo amanhã, aqui. Daqui a pouco (re)começo a ver filmes. Um que perdi, porque cheguei tarde (o de Hirokazu Kore-eda, Nossa Pequena Irmã), outro que quero rever (O Filho de Saul, de Laszlo Nemes, para tirar minha dúvida sobre se meu favorito à Palma é o húngaro ou o Chronic, do mexicano Michel Franco, ou ainda O Assassino, do mestre de Taiwan, Hou Hsiao-Hsioen) e o terceiro porque tive de sair antes do fim, para fazer uma entrevista (Mia Madre, de Nanni Moretti). Na segunda, voo para Paris e, na quarta, para Roma. Como há 20 e tantos anos que venho aqui, estou naquele momento de já sentir saudades, e de sonhar com o 69.º Festival, no ano que vem.