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Cannes! (17)/Unanimidade negociada

Luiz Carlos Merten

23 Maio 2015 | 13h35

CANNES – Uma me disse quer não aguenta mais filmes de estupros de mulheres e que o de Santiago Mitre é particularmente ingênuo. Outro foi ainda mais duro – disse que é, simplesmente, horrível. No post anterior, admiti que, por haver chegado tarde a Cannes, tive de correr para recuperar os filmes que havia perdido. Paulina, não teve jeito. Só Rodrigo Fonseca me incentivou a correr átras do filme do Mitre. Disse que era muito bom. Ainda há pouco, o júri da crítica – Fipresci -, presidido por um brasileiro, Mario Abbade Neto, outorgou seus prêmios. A Federação Internacional da Imprenmsa Cinematogreáfica dá três prêmios distribuídos entre as quatro seções. Este ano, ficou sobrando a Quinzena dos Realizadores e, na Semanas da Crítica, a Fipresci premiou o ‘horroroso’ – segundo coleguinhas brasileiros – Paulina. Gosto de Santiago Mitre e estou mais inclinado a dar crédito ao Rodrigo. Isso significa que ele entende mais de cinema que os outros? Olha a provocação, Merten. Espero dar razão ao colegiado da Fipresci quando o vir, seja no Festival do Rio ou na Mostra de São Paulo. Paulina é uma co-produção argentino-brasileira, com a Videofilmes de Walter Salles. A Fipresci também premiou, em Um Certain Regard, Masaan, de Neeraj Ghaywan e, na competição, referendou meu voto para O Filho de Saul, do húngaro Laszlo Nemes, que, como já escrevi aqui, num post anterior, ‘habemus Palmam’. Mesmo na eventualidade de o júri dos celerados irmãos Coen não premiar Nemes, a crítica já terá cumprido seu papel. É um primeiro filme. Aponta para uma nova representação da Shoah por meio da história desse pai judeu que, trabalhando nos fornos crematórios dos nazistas, tenta resgatar o cadáver do filho, para lhe dar um funeral apropriado. Conversei com Mario Abadde e lhe disse que estava tentado a reproduzir no blog as informações de cocheira que ele me deu. Mario me pediu que não, por favor. Mas me autorizou a publicar que teve de enfrentar quatro dias de negociação e debate para chegar ao consenso, à unanimidade. O Filho de Saul não começou como uma escolha unânime do júri, mas se impôs como tal. Levará também a Palma de Ouro? A Caméra d’Or do júri presidido por Sabine Azéma? O outro júri, o ecumênico, premiou Mia Madre, de Nanni Moretti, na competição. Outorgou duas menções – a La Loi du Marché, bom filme de Stéphane Brizé, também na competição, e a Taklub, de Brillante Mendoza, em Um Certain Regard. Estou voltando ao palais para a premiação justamente da mostra Um Certo Olhar. Estou curioso para ver quais serão as escolhas do júri presidido por Isabella Rossellini.,