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Cannes! (16)/E a floresta se moveu

Luiz Carlos Merten

23 Maio 2015 | 09h21

CANNES – E o 68º festival já está em clima de fim de festa. Hoje, no final da tarde, a crítica anuncia seus prêmios e, à noite, as seções Um Certain Regard e Quinzena dos Realizadores também distribuem seus troféus (e exibem os vencedores). Gosto de Santiago Mitre, mas, por haver chegado tarde, tenho de admitir que perdi Paulina, co-produzido por Walter Salles e que venceu a Semana da Critica. Ouvi coisas horrorosas de colegas brasileiros, mas prefiro checar antes de abraçar a (para eles) irritante ingenuidade do filme e do diretor. Também me haviam falado mal do Macbeth de Jstin Kurzel e tenho de admitir que gostei muito do último filme das competição. Em seu segundo longa, o autor australiano faz uma releitura muito interessante do bardo. Em termos de geração Star Wars, Macbeth é um (anti?) herói trágico que, como Annakin Skywalker, é devorado pelo lado escuro de si mesmo, mais que da Força. A lady que o empurra para o crime cedo percebe o que ocorre com seu homem e recua – a humanização da personagem de Marion Cotillard não é a menor das virtudes desse Macbeth, que incorpora a paisagem e faz teatro na ampla majestade da natureza. Mais que o de Orson Welles, mais que o de Roman Polanski, o Macbeth de Kurzel e Michael Fassbender mexeu comigo porque retoma o eixo do rei como criminoso e não lhe fornece, como Polanski, a possibilidade de remissão por meio de uma morte com honra. Gostei muito do visual, da interpretação e fiquei nos cascos pensando no que terá feito Vinicius Coimbra, o diretor de A Hora e a Vez de Augusto Matraga, em seu novo filme, também adaptado de Macbeth. Chama-se Floresta Que Move (ou se Move). . Gostaria muito que meu amigo Gabriel Villela estivesse aqui para conversarmos sobre as ousadias e também sobre a fidelidade de Kurzel ao original. Só queria dar conta disso e dizer que mal posso esperar para ver o que esse trio – Kurzel/Marion/Fassbender – vai fazer na adaptação da série de livros baseada no game Assassin’s Creed, que adoro (os livros; do jogo, só conheço a existência). Estou indo para a entrevista com o diretor de O Pequeno Príncipe, Mark Ousborne. Volto mais tarde para dar conta das premiações de hopje.