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Cannes (15)!/Nada como sexo para sacudir o festival

Luiz Carlos Merten

21 Maio 2015 | 10h50

CANNES – Entrei ontem na fila para ver, na sessão da meia-noite, o Love de Gaspar Noë, produzido por Maraval e com participação do brasileiro Rodrigo Teixeira. Havia gente pelo ladrão.  Nenhum assento sobrando no imenso Palais. É curioso, mas quando era garoto, tudo o que a gente queria ver eram os filmes francese e suecos por causa da safadeza. Em Hollywood, os casais dormiam em camas separadas. No verão de Mônica, filmado por Ingmar Bergman, e depois como a mulher que Deus criou, Brigitte Bardot e Harriet Andersson despertaram uma verdadeira fúria masturbatória através do mundo. Nos anos 1960, um mestre do puritanismo, Delmer Daves, chegou a auto-ironizar(-se). Em Candelabro à Italiano, Suzanne Pleshette dizia que ia para onde as pessoas sabiam amar. A Europa! Todo esse preâmbulo para dizer – como as coisas reverteram! Filme para fazer escândalo em Cannes tem de ter sexo. O franco-argentino Gaspar Noë sabe disso. Depois de Irreversível e Enter the Void, Noë resolveu exorcizar uma experiência passada, uma dor de amor. Há 40 anos, Nagisa Oshima fez sensação com as cenas de sexo explícito de O Império dos Sentidos. Nos anos e décadas seguintes, mesmo diretores que juravam não trapacear – como o Lars Von Trier do Dogma, em Os Idiotas – faziam dublar seus atores por profissionais nas cenas de sexo. Noë deu duro para encontrar o elenco que faz o que seu cinemas exige – não, quem dá duro é o carinha. Representa em ereção permanente e, numa cena, a câmera avança – em terceira dimensão! – para seu membro ereto e a ejaculação explode na telas em, câmera lenta. Pode não ser nada. É tudo. Todo tipo de sexo. Não, todo não. Tudo o que um homem e uma mulher podem fazer e, numa cena, um travesti entra no jogo. Mas toda essa elefantíase do sexo, o prazer do gozo, está ali para refletir sobre o oposto. O protagonista ama uma mulher mas engravida outra. Perde a primeira e sua vida vira um inferno. Mais do que sobre o prazer, é um filme sobre o luto do amor perdido (e não reencontrado). Encontrei Rodrigo Teixeira nos corredores do palácio. Comentamos como Noë e seu ator são ‘animais’, não no sentido da brutalidade, mas no de vivenciar, até o limite, seu instinto. Gostei de ver Love, e não foi pela safadeza, não. Encontrei ali uma dor visceral, genuína. Sorry, mas tenho de ir. Na volta falo de A Assassina. Amei o filme de sabre de Hou Hsiao-Hsien. Gostei do Jacques Audiard, Dheepan. A seleção oficial deu uma esquentada,