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Cannes (13)/Panahi e o mistério de Marziyeh (quem?)

Luiz Carlos Merten

13 Maio 2018 | 10h16

CANNES – Não senti muita firmeza dos colegas jornalistas após a projeção do Jafar Panahi, mas achei Three Faces/Trois Visages o melhor filme dele nessa fase de cinema do exílio no próprio país. Depois de Táxi Teerã, Panahi coloca o Irã dentro do carro em que viaja com uma famosa atriz de TV. Ela recebeu o vídeo de uma garota que se suicida. Verdade, mentira? Com a ajuda de Panahi, a ‘estrela’ parte numa jornada para tentar desvendar o mistério de Marziyeh. O que ocorreu com a garota? Como na coletiva de Godard, o celular é peça decisiva da equação. Achei simples e engenhoso – brilhante. Gostei bem menos de Farhrenheit 451, de Ramin Bahrani, e não porque seja ruim. O livro distópico de Ray Bradbury já havia sido adaptado por François Truffaut nos anos 1960. Não é das melhores coisas, sequer boas, que ele fez. A trama segue o originasl – numa sdocioedasde futuriosta, os bombeiros queimam livros. Gostava – no passado – de Michael Shannon, mas ele anda me cansando com sua nova linha de vilões (o agente de A Forma da Água). Sei não, mas num momento de crise do impresso, em que até os livros são substituídos pelos e-books, Bahrani poderia ter usado Bradbury como ponto de partida, mas refletindo sobre as mudanças do mundo. Acho, de qualquer masneira, que os coleguinhas gostaram. Do meu lado sentou-se um cara que ficou quase todo o tempo ligado no celular. Levantou-se elogiando – o quê, pergunto, considerando o pouco que viu?