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Luiz Carlos Merten

16 Janeiro 2012 | 10h50

SANTIAGO – Ontem, pela manhã. visitamos uma exposição de gravuras de Pablo Picasso.  ‘La Belleza Multiple’. Os desenhos de Picasso. O traço de Picasso. O homem que destruiu o cânone clássico para criar a arte moderna possuía o mais límpido e o mais elegante dos traços. Como se fosse um arquiteto. Me encanta ver as figuras, os animais – sua série das Majas, os touros – reduzidas ao essencial. E Picasso era um filósofo, um pensador da própria arte. Suas frases são grandiosas – quando ele fala do tempo e diz que tem cada vez mais coisas para dizer e menos tempo. Quando explica que se interessa mais pelo movimento, pelo fluxo dos pensamentos mais do que pelos próprios pensamentos. Almoçamos, Dib Carneiro e eu, e fui (re)ver ‘As Aventuras de Tintin’, cuja cabine deve estar sendo hoje, agora, aí no Brasil. Já havia visto o filme em Dubai. Achei tecnicamente prodigioso, e não me incomodou que talvez seja mais um jovem Indiana Jones do que Hergé. Mas ‘Tintin’ não me encanta como ‘Cavalo de Guerra’. E o que mais gosto é o cachorro. Jamie Bell, Daniel Craig atuaram dentro da técnica chamada de ‘motion capture’. Minha pergunta que não quer calar – o cachorro é inteiramente digital ou seus movimentos também foram ‘capturados’? ‘Tintin’ venceu ontem o Globo de Ouro de melhor animação. Confesso que o Globo de Ouro me aborrece por causa da parte de TV. Não me ligo em séries, sorry, e portanto vejo aquela gente ganhar sem nenhuma emoção, sem nenhuma possibilidade de participar. já no cinema é diferente. Amo ‘O Artista’, de Michel Hazanavicius, e vibrei com os prêmios do filme. Jean Dujardin bisou seu prêmio de melhor ator em Cannes. Aleluia! Michelle Williams foi melhor atriz de comédia ou musical por sua Marilyn. Ótima. Meryl Streep foi melhor atriz por sua Thatcher, que ainda não vi, mas já gostei. ‘Os Descendentes’, de Alexander Payne, foi o melhor filme e George Clooney, o melhor ator. Gostei demais do filme e espero ter escrito, num post anterior, que Clooney é muito melhor ali do que em ‘Tudo pelo Poder’. Acho, mesmo, que é seu melhor papel. E o melhor filme estrangeiro? ‘Uma Separação, ou A Separação’, de Asghar Farhradi. O cencedor do Urso de Ouro do ano passado é um grande filme. Citei-o hoje, na conversa com Philip Kemp, o autor de Tudo sobre Cinema’, da Editora Sextante, na capa do ‘Caderno 2’. Quero voltar a Picasso, a ‘Tintin’, a ‘Os Descendentes’ e a ‘Separação’. Agora, preciso tomar café, fazer minha mala e rumar para o aeroporto. De volta! Até!

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