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Camila! ‘Matraga’! E ‘Canções’!

Luiz Carlos Merten

19 Outubro 2011 | 00h59

RIO – Estou vindo do Amarelinho, onde jantei rapidamente. A cerimônia de entrega dos prêmios para os vencedores da Première Brasil terminou por volta de 23h30. O Festival do Rio segue por mais alguns dias, e com direito a repescagem. Volto amanhã para São Paulo, na realidade daqui a pouco, para enfrentar outra maratona, a da Mostra. Vou contente. Camila Pitanga foi, como esperava, a melhor atriz, por seu papel em ‘Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios’, de Beto Brant e Renato Ciasca. João Miguel foi melhor ator, por ‘A Hora e a Vez de Augusto Matraga’ e o filme de Vinicius Coimbra emplacou também os prêmios de melhor ator coadjuvante (José Wilker) e uma menção para outro coadjuvante, Chico Anísio. Mais importante – ‘Matraga’ ganhou, e isso é raro, os prêmios do júri popular e do júri oficial, como melhor ficção. O melhor documentário, também para os dois júris, foi ‘As Canções’, de Eduardo Coutinho. No meu texto para o ‘Caderno 2’, destaquei que a Première contemplou muitos filmes autorais de pesquisa de linguagem. Num cinema brasileiro polarizado entre blockbusters e filmes miúra, ‘Matraga’ me pareceu uma terceira via possível e foi o que o próprio Vinicius Coimbra disse no palco do Odeon. Por mais que goste de ‘Mãe e Filha’, de Petrus Cariry, entendo que o prêmio de fotografia, dividido com Mauro Pinheiro Jr., de ‘Sudoeste’, foi uma forma de avalizar a pesquisa estética do diretor cearense – que também assina as imagens – e, como tal, foi respeitável, mas Mauro, nesta categoria específica, tinha de ter levado sozinho. ‘Sudoeste’ ganhou o prêmio da Fipresci, a Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica, que vale para as duas Premières, a Brasil e a Latina. Gosto demais do filme de Eduardo Nunes e era o meu favorito, até assistir à adaptação do conto de Guimarães Rosa, que Roberto Santos já levara à tela nos anos 1960. Talentoso como é, Vinicius Coimbra tem defendido seu filme – e a sua (re)leitura -, mas sempre deixando claro seu respeito pelo filme antigo (e por seu extraordinário ator, Leonardo Villar). O duro é que, em princípio, ‘Matraga’, distribuído pela Nossa, deve estrear somente no fim do primeiro semestre de 2012. Coimbra me informou que uma distribuidora de São Paulo chamou-o para conversar e isso pode representar um adiantamento do prazo, além de grana para o lançamento. Karin Ainouz, a quem respeito tanto, vai ficar P comigo. Ele foi melhor diretor, por ‘Abismo Prateado’, e aí acho que o júri presidido por Roberto Farias escorregou. Por falar no júri, peguei uma conversa de Hilda Santiago com Marcos Jorge, o diretor de ‘Estômago’, e a sra. Festival do Rio dizia que raramente viu júri tão atuante. A disputa foi acirrada, as discussões intensas. Mesmo que não esteja 100% de acordo, isso não existe, assino embaixo de  muitas, a maioria das escolhas. Agora, vou dormir que é tarde.

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