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Luiz Carlos Merten

12 Abril 2010 | 13h39

Olá, desde ontem estou devendo este post a vocês (e a mim mesmo). Vou passar olimpicamente sobre o debate de sábado no Rio e o Sylvio Back (‘O Contestado’) que assisti à noite. Voltei para São Paulo ontem de manhã, passei pela redação do ‘Estado’ para fazer os filmes na TV de hoje e tentar emplacar uma matéria sobre o É Tudo Verdade (não deu). Almocei com Lúcia e Érico e ‘embarquei’ no evento James Cameron. Às 15h30 já estava no Hyatt, mas a entrevista marcada para 16 horas começou com hora e meia de atraso. Saí de lá às 8 (20 horas), mas valeu. Quantos de vocês não gostariam de ter estado lá? Cameron havia anunciado que traria alguém do elenco. Trouxe Sigourney Weaver e Joel David Moore, que faz ‘Norm’. Ele anunciou o DVD e o Blu Ray (lançamento dia 22). Por enquanto, é o filme, só. Os extras e acréscimo de cenas ficam para outro lançamento em novembro, preparatório para o Natal. Cameron confirmou o ‘Avatar 2’, deu um jeito de driblar nossas críticas – após a coletiva, houve um encontro reduzido, com um grupo de quatro jornalistas (‘Estado’, ‘Folha’, ‘Globo’ e ‘Isto é’). Cobramos coerência. Cameron tem criticado a cultura do desperdício, mas esses sucessivos lançamentos não fazem outra coisa senão estimular o consumismo (e aumentar o faturamento já bilionário, em dólares, do filme). Não quero esvaziar minha entrevista que estará na capa do ‘Caderno 2’ de amanhã, muito menos a mais impactante declaração que ele fez, do ponto de vista dos cinéfilos, e que não se refere a suas críticas à construção da hidroelétrica no Pará. Já vi o filme quatro vezes, vocês sabem – em Imax, 3-D, cópias planas e Imax, de novo. Pois tenho de confessar que passei por uma experiência radical ontem. Ao ver as cenas selecionadas por Cameron para mostrar o Blu Ray, vi-as, pela primeira vez, fora de contexto. Sigourney me disse – nos disse, éramos quatro, mas a pergunta foi minha – que se emocionava ao ver as cenas do filme. Eu também, e o mais bacana é que, daquele jeito, fora da estrutura avassaladora de ‘Avatar’, dava para apreciar melhor as sutilezas das interpretações de Sam Worthington e Zoe Saldana. Cameron e Sigourney esclareceram sobre o princípio – ou conceito – da ‘motion capture’. Tudo (roupas, adereços, planos) é definido na pós-produção. Ali, só o que interessa é a interpretação. Isso fortaleceu minha convicção de que houve injustiça no Oscar. Zoe Saldana teria, pelo menos, de ter sido indicada para melhor coadjuvante. Sobre a derrota de Cameron para Karthryn Bigelow nos prêmios da Academia, Sigourney foi ótima. Disse que ele perdeu porque não tinha seios. ‘A Academia queria premiar uma mulher e premiou Kathryn, que fez um bom filme, msas não melhor do que Avatar.’ Ainda insistimos com ela – a Academia não estaria mandando um recado, do tipo ‘não é preciso muito dinheiro para fazer grandes filmes’? Sigourney desdenhou. ‘Então vocês acham que a Academia pensa? Só pensa em dinheiro.’ Embutidas em suas observações, estava uma ideia – a de que o megassucesso de James Cameron irrita muita gente, que só tem poder para aplicar esse tipo de rasteira no rei do mundo. Meu domingo foi agitado, mas valeu.