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Luiz Carlos Merten

30 Maio 2008 | 15h48

Comentando os comentários. Aldir não vê o propósito de achincalhar a soberba de Clint Eastwood, quando existe uma fila extensa de gente para bater, antes dele. Concordo, e é justamente por Clint ser tão grande é que causa espanto (e até decepção) vê-lo se comportar de forma tão ‘pequena’. Qual é o sentido do protesto daquela cadeira vazia? Quem entra na disputa é para ganhar ou perder, não é mesmo? Mas esse comportamento é que, no limite, revela a humanidade das pessoas, do Clint também. Para gozo do Aldir, reproduzo o texto de um dos críticos de Le Figaro. O jornal pediu aos cinco profissionais que enviou a Cannes apontassem seu favorito para a Palma de Ouro (nenhum escolheu ‘Entre les Murs’). Leiam o que escreveu Jean-Christophe Buisson justificando por que ‘L’Exchange’ devia ganhar.
“Porque os temas abordados são todos apaixonantes – o rapto e o assassinato de crianças; a psicologia monstruosa dos serial killers; a corrupção da polícia; o internamento em hospitais psiquiátricos; a pena de morte; o sentimento de culpa; a esperança. Porque Clint Eastwood não filma nenhum plano gratuitamente e porque cada diálogo faz avançar a história, ou as histórias que compõem ‘L’Exchange’. Porque o filme dura duas horas e meia e você não percebe o tempo passar nem se entedia. Porque Angelina Jolie é ‘bouleversante’. Porque a idéia de ver Clint Eastwood pela quinta vez sair de Cannes sem a recompensa máxima seria insuportável.”