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Luiz Carlos Merten

05 Agosto 2008 | 16h51

Perto do hotel, havia, lá em San Francisco, uma Virgin (a loja). Meu Deus, aquilo é uma perdição. Quase não tenho DVDs em casa, mas o Bira, meu colega Unibaratan Brasil, me havia pedido para comprar uma caixa de filmes de terror com Bela Lugosi, que acaba de sair nos EUA. Não a encontrei, nem na Virgin nem na Best Buy, mas em compensação topei com as tragédias do Cacoyannis – ‘Electra’ e ‘Ifigênia’ – e com westerns como ‘O Homem do Oeste’, de Anthony Mann, com Gary Cooper, e ‘Nevada Smith’, de Henry Hathaway, com Steve McQueen, e com o ‘Some Came Running’, de Vincente Minnelli, com Frank Sinatra, Dean Martin e Shirley MacLaine, que não é outro senão o sublime ‘Deus Sabe Quanto Amei’. Não resisti e comprei. Saí correndo, porque meu desejo seria comprasr uns cem filmes, e não cinco. Há tempos procurava os filmes do Cacoyannis, que vi quando jovem e me marcaram muito. Nunca mais revi ‘Electra’, com a fotografia em preto-e-branco de Walter Lassaly, a música de Mikis Theodorakis e a majestade de Irene Papas. Na minha lembrança, ‘Ifigênia’ é ainda melhor e a tragédia de Eurípides sobre o sacrifício da filha que vai levar a mulher de Agamenon ao adultério e ao assassinato do marido é uma coisa impressionante. Há nesses filmes um tratamento hierático da imagem que remete ao cinema soviético da fase de ouro. Tenho até medo de rever. E, se por qualquer motivo, esses filmes não forem mais tão fortes (e vivos) como na minha lembrança? Vou ter de arriscar, sabendo que terei pelo menos a recompensa de rever a Irene Papas, a atriz que, no cinema, resume o que é a tragédia grega.

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