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Luiz Carlos Merten

06 Julho 2012 | 11h53

João Luiz Sampaio, que continua meu editor em exercício, me devolveu hoje o ‘cachorro’ do outro dia. Havia reclamado dele que não me informou de que Marthe Keller era a narradora de ‘Cassandre’ e ele agora queria me bater. João foi ver ontem ‘Para Roma, com Amor’. O tenor, que no filme só canta no chuveiro, é Fabio Armiliato, um dos maiores tenores da Itália e do mundo, que, inclusive, já se apresentou aqui em São Paulo (mas eu não vi, caso contrário teria me lembrado dele). João adorou o teste em que Armiliato tem de fingir que não canta bem e terminou por confessar que, ao contrário de mim, gostou mais de ‘Para Roma’ do que de ‘Meia-Noite em Paris’. Essa conversa ocorreu agora no café, na redação do ‘Estado’, e Flávia Guerra aproveitou para dizer que também acha o ‘Meia-Noite’ supervalorizado. Conversa vai, conversa vem, Flávia levantou uma questão interessante – a daquele post sobre o tempo narrativo de ‘Para Roma, com Amor’. Sua observação foi importante – Roma é uma cidade na qual o tempo se superpõe. Temos a Roma dos Césares e a dos papas. A do Coliseu e a da arquitetura de Pier Luigi Nervi. Esses tempos que Woody Allen equipara no relato do filme – as histórias do casal de Pordenone, de Roberto Benigni como celebridade e do tenor -, tratados como se fossem um tempo só, quando na realidade possuem tempos diferentes, como Roma. Já vi que vou ter de assistir ao filme  de novo. O curioso é que, vendo ‘Para Roma’ pela primeira vez, havia feito a associação do casal de Pordenone com a dupla de recém-casados formada por Leopoldo Trieste e Brunella Bovo em ‘Abismo de Um Sonho’, Lo Sceicco Bianco, o primeiro filme solo de Federico Fellini. Depois, revendo ‘Para Roma’, e talvez de uma maneira mais difusa, não pude deixar de pensar no filme que melhor encarna o espírito do cinema turístico – ‘Candelabro Italiano’, de Delmer Daves, com Suzanne Pleshette e Troy Donahue, ao som de ‘Al di Lá’. Teria sido curioso repercutir todas essas coisas com Mr. Allen.