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Luiz Carlos Merten

27 Outubro 2006 | 09h33

Não sou o maior fã do mundo de Red Road, mas o filme da inglesa Andrea Arnold ganhou o prêmio do júri em Cannes e, no júri da Caméra d’Or, também havia gente que defendia ardentemente o trabalho dela. Andrea é muito bonita (tem os ares de Kim Basinger) e, para esse filme, teve assessoramento da diretora dinamarquesa Lone Scherfig, de Italiano para Principiantes, que a ajudou no desenho dramático dos personagens. É curioso, mas uma mulher com estampa para ser modelo, consumindo e sendo consumida para faturar, fez um filme que é um comentário muito forte sobre a alienação, a solidão e a violência urbanas. A protagonista é essa mulher que trabalha no serviço de vigilância eletrônica instalado numa área da periferia de Glasgow. Passa o dia inteiro vendo o mundo por meio do vídeo. E aí, um dia, ele vê aquele sujeito que vira obsessão, porque traz uma história traumática do seu passado. Red Road tem muita coisa de Caché, de Michael Haneke – os vídeos, a culpa do passado, mas o tratamento e o desenvolvimento são diferentes. Vale conferir, às 21 horas, no Morumbi Shopping. Só vou acrescentar que Andrea tem um Oscar no currículo. Em 2004 recebeu o de melhor curta, por Wasp.

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