Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Cabrera Infante (1)

Cultura

Luiz Carlos Merten

16 Dezembro 2009 | 08h33

Não estou querendo polwemizar com seu amigo Antônio Gonçalves Filho, a quem, aliás, respeito bastante, como um desses raros homens ‘renascentistas’ que conheci no jornalismo. Toninho fala com propriedade sobre artes visuaisd, literatura, música, cinema. Nem sempre concordamos, o que é saudável. Discordamos sobre Richard C. Sarafian. Richard quem? No domingo, no ‘Cultura’, suplemento do ‘Estado’, Toninho fez a capa lembrando Gullermo Cabrera Infante, grande escritor cubnano e feroz adversário de Fidel Castro. Cabrera Infante morreu em 2005. Autor de livros importantes, é lembrado principalmente por ‘Três Tristes Tigres’, que acaba de ser relançado no País. Com o pseudônimo de Guillermo Cain, Cabrera Infante foi também crítico de cinema e roteirista. Cabrwera Infgante carregha o peso da comparação com James Joyce. seria, ou é, o Joyce cubano. Sérgio Augusto, também no domingo, no ‘Cultura’, diz que o que Joyce fez com a Dublin do começo do século passado, Cabrera Infante também fez com a Havana de 1958, nos estertores do regime de Fulgencio Batista. Andy Garcia também carrega a nostalgia dessa Havana decadentista e (pré)revolucionária. ‘Três Tristes Tigres’ é o ‘Ulisses’ caribenho. Sempre pensei que o ‘Três Tristes Tigres’, marco inicial da obra de Raoul Ruiz, quando ele ainda vivia no Chile e se assinava ‘Raul’, por volta de 1970, fosse adaptado de Cabrera Infante, mas não. Descobri-o bem mais tarde, porque ‘Três Tristes Tigres’, uma das três obras faróis do cinema chileno no alvorecer da (breve) era Allende – os outros dois foram ‘El Chacal de Nahueltoro’, de Miguel Littín, e ‘Valparaiso’, de Aldo Francia, todos feitos com a mesma câmera, acreditem -, era a única que só conhecia de ouvir falar e só bem recentemente, em Paris, a assisti numa programação dedicada a ‘Raoul’. Gostei do filme sobre três amigos em Santiago, três ‘vitellooni’ e um deles prostitui a própria irmã, e o filme não deixa de propor uma polifonia da cidade, dando voz a personagens que a expressam na sua diversidade (o que Cabrera Infante também faz com sua ‘Habana’). Para variar, o post está grande. Continuo no próximo. aguardem por Richard C. Sarafian.