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Luiz Carlos Merten

02 Abril 2012 | 09h46

No post sobre Ademilde Fonseca, cometi não propriamente um engano, mas poderia ter induzido o público a pensar errado, o que ninguém notou (ou achou digno de comentar). Falei que ‘Brasileirinho’ martelava meu ouvidos e ontem, almoçando com minha filha, na Mercearia do Conde, pedi justamente o prato veggie com esse nome, à base de pupunha, que se revelou uma delícia. Mas a questão é que falei de ‘Brasileirinho’, a música, elogiei a sonoridade de Ademilde e disse que a amava, ‘com todo fervor’, mas este é um verso de outro choro, o ‘Pedacinhos do Céu’. Enfim… No sábado à tarde, corri feito louco para chegar às duas da tasrde na Cinemateca e assistir à versão restaurada de ‘Cabra Marcado para Morrer’. Encontrei Eduardo Coutinho, João Moreira Salles, Lauro Escorel. Vi o filme, mas não fiquei para o debate. Havia encontrado o Josafá, que frequentou um curso de cinema que ministrei, uma série de conversas, basicamente. Josafá gravou uma entrevista com Coutinho para um documentário. Busca financiamento para dar forma e acabamento ao projeto. Espero que consiga. De volta ao ‘Cabra’, o filme ostenta a fama de ser o maior documentário de Coutinho e até do cinema brasileiro. ‘Cabra’ é importante, longe de mim negar isso, e voltou a ser importante justamente agora neste momento em que se discute de novo a violência do regime militar, que atirou tanta gente na clandestinidade. Elizabeth Teixeira é uma figuraça, a história do resgate de sua identidade como a do filme que o próprio Coutinho fora forçado a abandonar, aqós o golpe, tudo isso é muito forte, muito interessante, mas… O ‘Cabra’! Tive a mesma sensação. Ficou datado, todo aquele périplo confessional (‘Estou indo agora entrevistar…’) cria redundâncias. As próprias entrevistas. Eduardo ainda não era Coutinho. O encontro com a filha que tem um negócio, a que foi abandonada pela mãe, a única que ela ‘deu’. Coutinho teria feito hoje outra entrevista. Outro filme? Toda a dimensão política ficou comigo, mas a estética, e até a humana… O ‘meu’ Coutinho é ‘Edifício Master’. Definitivamente.