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Luiz Carlos Merten

02 Junho 2008 | 11h11

Só para constar – o filho de um amigo meu, que estuda filosofia na USP (o filho, não o pai), é louco por cinema. Ele não perde filme-cabeça e também filme-pipoca. Soube que o Heitor achou ‘Speed Racer’ o melhor filme que viu este ano e vocês sabem o quanto gostei do novo trabalho dos irmãos Wachowski. Só para constar – nunca li, mas tenho certeza de que saiu no Brasil um volume que analisa o filme anterior da dupla, a trilogia ‘Matrix’, à luz da filosofia, o que ajuda a entender o interesse que o garoto encontrou em ‘Speed Racer’ e que os coleguinhas críticos não se dão ao trabalho de procurar e, menos ainda, de pensar, porque, afinal, se é filme-pipoca, pra que pensar? Havia jurado, ou pelo menos dito, que não ia falar de novo sobre ‘Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal’ antes de rever o novo Spielberg, mas há dias estou com uma coisa engasgada. Havia aquele diretor norte-americano dos anos 40 e 50, Byron Haskin, que no Brasil foi sempre considerado um ‘artesão’, mas que Jean Tulard, sabiamente, resgata como autor em seu ‘Dicionário de Cinema’, destacando a qualidade dos filmes noir e, principalmente, das incursões do cineasta pelo fantástico. Seria interessante conversar com Spielberg sobre um aspecto que ninguém aborda – mas ele tem estado na cola de Byron Haskin. Spielberg não apenas refilmou ‘Guerra dos Mundos’ – que Byron Haskin filmou em 1953, como se apropria, no ‘Reino da Caveira de Cristal’, de outro ‘clássico’ do diretor, feito no ano seguinte. ‘Selva Nua’, com Charlton Heston e Eleanor Parker, tem aquela impressionante invasão de formigas vermelhas que dá origem, agora, a uma cena importante de ‘Caveira de Cristal’. Mera coincidência? Acho que não. Por que misturei ‘Speed Racer’ com Spielberg? Porque o pai do Heitor me disse que ele também gostou muito da ‘Caveira de Cristal’.

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