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Luiz Carlos Merten

08 Abril 2009 | 11h49

Mauro Brider, foste tu não?, pega carona no post sobre Jack Arnold e pede que fale um pouco sobre Byron Haskin. Como não? Ele costuma ser lembrado por suas fantasias científicas nos anos 50 e 60, mas a história é muito mais longa e Haskin chegou a dirigir um par de filmes nos anos 20 ou 30. Nascido em 1899, ele foi cartunista e chegou ao cinema como cameraman. Consta que era o câmera preferido de John Barrymore, que o impunha, contratualmente, em seus filmes. De diretor de fotografia virou especialista em efeitos, o que explica sua preferência pela ficção científica. Na segunda metade dos 40, Byron Haskin voltou à direção, para ficar. (Re)Começou com dois filmes noir com Lizabeth Scott, ‘Estranha Fascinação’ (I Walk alone) e ‘Lágrimas Tardias’, mas nenhum deles dispõe de reputação muito boa. Seus filmes de aventuras são melhores – ‘A Fera de Kumaon’, com Sabu, sobre um tigre comedor de gente; ‘A Ilha do Tesouro’, com Robert Newton como Long John Silver; ‘Sua Majestade, o Aventureiro’, com Burt Lancaster; e até ‘Tarzan na Terra Selvagem’, com Lex Barker, projetado para ser o primeiro filme do herói rodado em cores, na África, mas que foi lançado em preto e branco e filmado nos arredores de Hollywood. Já contei para vocês como adorava a Coleção Terramarear. ‘Tarzan, o Rei da Jângal’ foi o primeiro livro que comprei com meu dinheiro (sorry que não tenha sido nenhum Proust nem Kirkegaard, esses vieram bem depois). Mas eu adorava Tarzan e vi o de Haskin (com Dorothy Dandridge!). De volta à obra do diretor, ele deve sua fama, como já foi dito, a filmes fantásticos, e não apenas de ficção científica. Fez a primeira versão de ‘Guerra dos Mundos’ e ‘Selva Nua’, com Charlton Heston e Eleanor Parker, sobre ataque de formigas, mas as paixões humanas, as disputas entre o casal, são mais furiosas que a ‘marabunta’ (o mar de formigas). No post que originou o comentário de Mauro, falei como Jack Arnold influenciou Steven Spielberg e é curioso que, de novo, Spielberg tenha refeito ‘Guerrra dos Mundos’ e o mar de formigas componha um dos episódios do quarto Indiana Jones. Ou seja, Byron Haskin também influenciou Spielberg. O que seria da nova Hollywood sem esses diretores B? ‘Os Poderosos também Caem’ (The Boss), de 1956, com Tom Payne (e roteiro de Dalton Trumbo, se não me engano), também antecipa De Palma, ‘Os Intocáveis’, na cena em que gângsteres armam cilada para testemunha protegida por federais. Os últimos filmes de Byron Haskin foram ‘Robinson Crusoé em Marte’, com imagens impressionantes filmadas no Vale da Morte; e ‘Os Poderosos’, cujo elenco, liderado por George Hamilton e Suzanne Pleshette, era uma súmula da produção B (Yvonne De Carlo, Earl Holliman, Gary Merrill, Barbara Nichols, Aldo Ray, Michael Rennie etc). O último, seu derradeiro filme para cinema, é de 1968, um ano emblemático. Haskin morreu em 1984 (remember George Orwell). Nestes 16 anos, ele permaneceu ativo na TV, onde foi fundamental na série ‘Outer Limits’, criando um telefilme que se tornou clássico, ‘The Demon with a Glass Hand’, em que alienígenas dominam a Terra e caçam o último terráqueo, que ocorre ser… um robô! Para vocês, muito do que estou contado pode ser novidade. para mim, está sendo uma viagem em busca do tempo perdido. A maioria desses filmes, senão todos…, integram meu imaginário.

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