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Luiz Carlos Merten

21 Julho 2009 | 15h28

Acabo de ver – pela manhã – ‘Inimigos Públicos’. Grande Michael Mann. É pouco dizer que ele reiventa o cinema de gângsteres, ou talvez que ele reinvente o cinema em geral. Michael Mann consegue resultados muito interessantes – revolucionários? – filmando com tecnologia digital, mas eu confesso que este não é o aspecto que mais me interessa em seu novo filme. O embate entre Johnny Depp, o gângster Dillinger, inimigo público número um, e o agente Christian Bale coloca em discussão os dois ladops da lei, a ordem e a desordem como componentes da organização social. Tão importante quanto eles é Billy Cudrup, como J. Edgar Hoover, o todo-poderoso czar que quer modernizar o FBI, introduzindo técnicas modernas de combate ao crime. J.E., no fundo, é tão ou mais perigoso do que Dillinger. É um fascista de carteirinha, de olho no que está ocorrendo na Itália, na época – o filme passa-se na Itália –, e tão persuasivo que Christian Bale lhe vende sua alma (como se fosse o Diabo), não sendo por acaso que tem o destino que o letreiro final revela. Mann não é uma unanimidade, sei disso, mas gosto pra cara…mba desse cara. Seu cinema vive discutindo a ética, quase sempre por meio do choque de duplas. Robert De Niro e Al Pacino em ‘Fogo contra Fogo’, Russell Crowe e Al Pacino em ‘O Informante’, Tom Cruise e Jamie Foxx em ‘Colateral’ etc. O embate volta em ‘Inimigos Públicos’, mas o que mais me fascinou aqui foi a ligação de Johnny Depp e Marion Cotillard, para a qual Mann criou uma trilha fantástica, com Billie Holiday (e ela canta ‘Bye-bye, black bird’, que fornece ao filme seu desfecho maravilhoso). Ainda estou decantando o que vi (e não foi pouco). Só queria dar notícia. Minha tarde vai ser meio punk, com filme, entrevista e filme de novo. Mas eu volto, é só aguardar.