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Luiz Carlos Merten

17 Maio 2008 | 07h19

CANNES – Acho emocionante que um grande festival como este faça o resgate de obras populares e que sempre foram ignoradas pelos críticos, por seu aspecto comercial. No outro dia, na coletiva de ‘Kung Fu Panda’, um dos diretores disse que é fã de artes marciais desde garotinho, quando via os filmes de Bruce Lee. Eles os via sei lá em que cidade norte-americana, eu via em Porto Alegre e hoje, se tivesse tempo – não conferi ainda se bate com algum filme da competição, ou da mostra Cannes Classics -, poderia rever justamente o maior clássico de Bruce, ‘Operação Dragão’, que Robert Clouse realizou no começo dos anos 70. ‘Operação Dragão’ passa hoje à noite na mostra Cinéma de la Plage. Acho que esta ausência de preconceito, para o bem e para o mal, é a contribuição da geração de Quentin Tarantino, que na semana que vem dá aqui sua ‘leçon de cinéma’. Antigamente, não era de bom tom gostar de filmes de artes marciais, mas depois vieram ‘O tigre e o Dragão’, de Ang Lee, e ‘Matrix’, dos irmãos Wachowski (série da qual, já disse e repito, não sou muito fã, ao contrário de ‘Speed Racer’, que me apanhou de cara). Sempre foi assim. Até que Sergio Leone concedesse ao spaghetti western sua carta de nobreza, e acho que até hoje, ninguém liga muito para os filmes que Sergio Corbucci, Sergio Sollina e Damiano Damiani fizeram no gênero, mas aquela abertura de ‘Django’ – Franco Nero entrando na cidadezinha embarrada, sob a chuva, puxando aqueles caixões para abrigar os homens – faz parte do meu imaginário, como o ‘Gringo’ revolucionário de Damiani, com Gian-Maria Volontè e Lou Castel. Antes do cixclo do spaghetti westerns, havia o mesmo preconceito em relação às aventuras mitiológicas que se constituíam no grosso da produção industrial de Cinecittà, por volta de 1960. Hércules, Ursus e Macistes eram celebrados por heróis halterofilistas, mas os filmes de Vittorio Cottafavi eram de uma riqueza e complexidade muito grande e a representação do inferno por Riccardo Freda, com seu ‘Maciste all’Inferno’, é coisa de gênio. Emparelha com a produção B de Hollywood, um cinema pobre de recursos, mas que em muitos momentos era pobre e criativo. O próprio Glauber, em ‘O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro’ – que reestréia dia 30 em cópia nova -, incorpora o spaghetti western e, um pouco por isso, é, entre todos os seus filmres, o que levaria para a ilha desereta (mesmo reconhecendo a importância de ‘Deus we o Diabo’ e ‘Terra em Transe’). Escrevo tudo isso, meio erraticamente, e sinto que já estou me preparando para ‘Indiana Jones’, amanhã.

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