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Luiz Carlos Merten

03 Maio 2012 | 01h28

RECIFE – E a Calunga de grande vencedor do 16.º Cine PE foi para… ‘À Beira do Caminho’. O filme de Breno Silveira foi o melhor para o júri oficial, o popular e somou a esses prêmios mais três – melhor ator, João Miguel. melhor coadjuvante, Vinicius Nascimento; e melhor roteiro, Patrícia Andrade. Havia ido ao banheiro, no intervalo após a projeção do documentário de Zelito Viana sobre a Orquestra Cidadã, quando topei com Breno, chamado às pressas do Rio. Claro que, a partir daí, já esperava pela premiação, mas ela não deixou de me surpreender. O filme de Zelito passou com o complemento do curta ‘A História Que o Brasil não Conhece’, de André Moraes, sobre uma suposta conspiração norte-americana para acabar com a MPB. Gostei muito do filme curto, que achei criativo e me animou a esperar o longa ‘Danou-se!’, cuja produção Alfredo e Sandra Bertini anunciaram durante o Cine PE. O filme, uma comédia, baseia-se numa história real ocorrida com o casal e será dirigido por Moraes. Se vier a provocar metade da reação entusiasmada que o público do Cine PE manifestou pela história que o País desconhece – a conspiração musical -, Bertini, Sandra e seu talentoso diretor contratado estarão feitos. De volta à premiação, por mais que goste do filme de Breno, explico o porquê de minha surpresa. Na minha cabeça, ele estava abrindo o festival fora de concurso. O júri presidido por João Batista de Andrade ignorou os documentários e loteou as Calungas de 2012 entre as ficções. ‘Boca’ venceu nas categorias direção (Flávio Frederico), atriz (Hermila Guedes), trilha (BID) e direção de arte, quatro prêmios, o mesmo número de ‘Paraísos Artificiais’, melhor fotografia (Lula Carvalho), atriz coadjuvante (Divana Brandão), edição de som e montagem (Quito Ribeiro). Para não dizer que ignorou completamente os documentários, o júri deu um prêmio mespecial meio envergonhado a ‘O Filho do Holocausto’, premiando o filme de Pedro Bial e Heitor d’Alincourt através de uma menção a Jorge Mautner. Mesmo não sendo sócio da Abracine, tenho de me congratular com a Associaçã0 Brasileira de Críticos de Cinema, que deu seu prêmio de longa a ‘Estradeiros”, de Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro, e premiou ‘Isso não É o Fim’, de João Gabriel, como melhor curta. O júri descarregou seus prêmios de curta em ‘Até à Vista’, de Jorge Furtado, e ‘L’, de Thais Fujinaga, cuja supervalorização (melhor direção, atriz, fotografia e direção de arte) não entendi. Eu teria votado em ‘Di Melo – O Imorrível’, de Alan Oliveira e Rubens Pássaro, salvo no gongo pelo prêmio aquisição do Canal Brasil (caso contrário, teria saído de mãos abanando). Também teria dividido os prêmios principais de longa entre os documentários, ‘Estradeiros’ e ‘O Filho do Holocausto’, confirmando, para Breno, os prêmios de interpretação masculina. Enfim, é tarde e estou spó dando conta da premiação do Cine PE. Amanhã, daqui a pouco, levanto cedo para fazer minhas matérias de sexta e correr para o aeroporto. Adoro o Recife, mas essa cidade me bateu nos nervos. Calor do cão, ar condicionado a mil em todos os ambientes. As diferenças de temperatrura me derrubaram. Espero estar OK. Morro de medo de que me volte a pneumonia que tantos problemas me causou no ano passado.