Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Braxília

Cultura

Luiz Carlos Merten

27 Novembro 2010 | 09h34

BRASÍLIA – Encerro hoje minha participação no Festival do Cinema brasileiro, o de número 43. Toda noite, no palco do cine Brasília, os apresentadores lembram que a origem do festival foi a pioneira semana de filmes nacionais promovida por Paulo Emilio Salles Gomes ainda nos anos 1960. Fico sempre pensando que deve ter sido o exemplo de Paulo Emílio que levou Paulo Fontoura Gastal, o Calvero, a botar pilha acho que em Osmar Meletti e não me lembro qual secretário ou prefeito de Gramasdo para que a cidade também abrigasse, alguns anos depois, outra semana de filmes brasileiros que também foi o embrião do festival. Divagações à parte, retorno hoje à tarde para São Paulo. Vim porque queria ver dois filmes e tive a sorte de que eles fossem apresentados em sequência, os de Eryk Rocha (‘Transeunte’) e Tiago Mata Machado (‘Os Residentes’). Vou ver hoje o debate do filme de Tiago e me mando para o aeroporto. Antecipo que será um massacre, ou não? Metade da sala saiu durante a projeção de ‘Os Residentes’, o que mostra que o público politizado e transgressivo de Brasília não é tão – politizado nem transgressivo – quanto gostaria de ser. Os próprios coleguinhas faziam piada e a melhor delas eu vou entregar, porque é ótima – ‘Também, o cara era crítica da ‘Folha’, o que mais se podia esperar?’ Quero dizer que gostei bastante do curta ‘Braxília’, de Danyella Proença, inspirado na figura e, principalmente, na obra do pooeta Nicolas Behr, que criou o conceito da cidade inventada, a Brasília interior, construída sobre a outra Brasília, também inventada, de Niemeyer e Kubistchek. Aliás, vou fazer uma pequena digressão. Um dos meus prazeres em Cannes, no hotel em que fico e nos outros, aonde vou para fazer entrevistas, semnpre me atraem as fotos de ‘légende’, como dizem os franceses,  sobre as figuras míticas que, ao longo do tempo, fizeram sensação na Croisette. Em Brasília, experimento um pouco a mesma coisa. No Hotel Nacional e, neste ano, no Kubistchek Plaza, paro sempre para olhar as fotos dos tempos heróicos de Brasília, que surgiu como um sonho. O poeta e a diretora indagam-se sobre essa Brasília sonhada que é hoje aviltada no imaginário do brasileiro, porque virou um símbolo de corrupção. O poder não merece Brasília, bradam Behr e Danyella. Em, anos recentes, diretores como José Carlos Belmonte e Felipe Hirsch tentaram decifrar o mistério de Brasília, mas quem o fez foi o autor de Braxília, filmado por Danyella Proença. Belo curta, conceitual. A palavra me leva ao filme de Tiago Mata Machado, mas o post está enorme. Aguardem o próximo.

Encontrou algum erro? Entre em contato