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Luiz Carlos Merten

03 Junho 2007 | 13h56

Não tenho gostado dos filmes recentes de Carlos Reichenbach, mas isso não significa nenhum parti-pris meu contra ele. Também não havia gostado de O Invasor (devo ser o único) e Crime Delicado e me apaixonei pelo novo filme de Beto Brant, Cão sem Dono, cuja estréia se aproxima. Espero ser surpreendido/convertido por algum filme que Carlão venha a fazer, mas uma coisa já quero elogiar. Antônio Gonçalves Filho faz um bela análise da coleção de oito longas de ficção de Valerio Zurlini, lançada pela Versátil, na edição de hoje do Cultura, do Estado. Há uma página inteira dedicada a Zurlini (e aos lançamentos). O texto do Toninho, como o chamamos, está na abertura. Desnecessário dizer que é brilhante (e profundo como Zurlini merece). Como rodapé, há um texto de Reichenbach que me emocionou. Sempre soube da devoção de Carlão pelo Zurlini, mas nunca vi muita influência do diretor italiano sobre seu estilo de cinema. O texto chama-se Poética Cinematográfica Que Aspira à Síntese e ele sustenta que Zurlini foi o cineasta que melhor soube filmar os sentimentos mais triviais, nobres ou aviltantes, do homem moderno. Bravo, Carlão! É um belo texto. Lembro que, certa vez, quando nos encontramos, ele me disse que só concordávamos, no cinema, em relação a uma coisa – Scarface, de Brian De Palma, do qual ambos gostamos (muito). Não é a única, não. Zurlini, também.