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Luiz Carlos Merten

22 Agosto 2011 | 18h23

Tive um fim de semana bastante ‘cinematográfico’, mas quando não é assim? Vi ‘Lanterna Verde’, ‘Professora sem Classe’, revi ‘A Árvore da Vida’ e ‘Super 8’ e hoje de manhã assisti a ‘O Homem do Futuro’. Começar por onde? Por Aline Moraes. Em Gramado, Carlos Eduardo Jacinto Jorge fez aquele baita elogio a Fábio Assunção, dizendo que ele era o ‘nosso’ Brad Pitt. Imagino que Fábio e Aline estejam muito contentes com suas vidas no Brasil, mas Brad Pitt e Angelina Jolie também devem agradecer aos céus porque eles não nasceram nos EUA. Entrevistei Angelina por ‘Salt’, em Cancún. Fiquei cara a cara com o mito, olhando para a boca que estimula fantasias eróticas mundo afora. A boca de Aline tem essa ‘qualidade’. E ela é boa atriz. Se tivesse nascido norte-americana, já estaria em Hollywood e Angelina… Wagner Moura, sim, está em Hollywood. Wagner me comove, sem frescura. Não conheço outro ator que consiga fazer, na mesma cena, o garoto inebriado pela descoberta do amor e o homem maduro amargurado por se sentir traído. O cara tem de ser muito bom ator para, com 40 anos, se fazer passar por 20. Por falar em 40 anos, é o que Cameron Diaz completa no ano que vem. Mas ela está inteirona, não que, nesta idade, uma mulher não possa ser (ou continuar) deslumbrante. Mas Cameron, em ‘Professora sem Classe’, desembesta que tem de aumentar os seios. Para dizer a verdade, talvez devesse aumentar a bunda, que é meio reta. Para levantar fundos, ela participa de um lava-carros. Molha-se bastante, escorrega no sabão, aquela safadeza que vocês podem imaginar. O corpo continua o da pin-up revelada por ‘O Máskara’, em 1993 ou 94. E ela não me passa a ideia de botoxada. É tudo aquilo ao natural, talvez com alguma ajudinha, mas nada demais. O filme de Jake Kasdan – qual é o parentesco com Lawrence?, se é que existe –, segue o politicamente incorreto que agora dá as cartas em Hollywood. Cameron segue a tendência boca-suja de Jennifer Aniston em ‘Quero Matar Meu Chefe’. De cara ela intima o namorado e diz que tudo o que vai fazer com o pipi dele, mas não faz – vejam o filme para saber por quê. Essas mulheres estão liberando geral o sexo oral, e em Hollywood. Billy Wilder deve estar revirando na cova. Entra o Ryan Reynolds. É o sr. Corpo de Hollywood na atualidade. Tem os olhos de pedinte, que expõem sua fragilidade. No papel certo – como Lanterna Verde ou em ‘A Proposta’, com Sandra Bullock – convence. Não creio que ‘Lanterna’ seja um filme ‘elogiável’. O exagero de efeitos especiais na abertura meio que me derrubou, mas quando Hal Jordan aparece a coisa muda de figura. Os grandes super-heróis modernos são ambivalentes, no mínimo. Alguns são francamente frágeis, duvidam de si mesmos, mas o Homem-Aranha, afinal, está estacionado nas transformações físicas e psicológicas da adolescência. Hal Jordan é marcado/fragilizado pela morte do pai, que era seu herói. Para confiar na própria força, ele vai precisar de uma mulher forte, que o impulsione, e ela aparece. Nunca vi ‘Gossip Girl’ nem sei se é bom, mas Blake Lively é pura dinamite. Ela tem um nariz grego, uma beleza clássica, mas não convencional. Seu magnetismo é 10. Forma um casal 20 com Ryan Reynolds. Brad Pitt, agora o autêntico, o ‘deles’. Continuo achando a mise-en-scène de Terrence Malick suntuosa, mas ‘A Árvore da Vida’ carrega na solenidade – ‘Pai, mãe, vocês brigam (ou continuam brigando) dentro de mim’ – e não me convence. A fala, por sinal, não é de Brad, mas de Sean (Penn). Como pensador, sorry dizer, mas Malick me parece mais para o medíocre. É um caso de marketing, muito bem orquestrado. Pode até cair em descrédito – fazer o quê? –, mas me emociona muito mais a fala do garoto com o ET em ‘Super 8’. Tudo o que ele diz sobre superação, na verdade, se aplica a ele mesmo e o alienígena é o espelho de seus monstros (demônios?) internos.