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Luiz Carlos Merten

30 Março 2009 | 12h05

Desde que postei, no Rio, o texto sobre a estréia da primeira parte do ‘Che’, de Sodergergh e Del Toro, não havia parado para conferir os comentários. Validei agora uma porção deles. Só um ou outro se arrisca a comentar o filme, a maioria contenta-se em investir contra o personagem. Che é assassino, sanguinário, canalha etc. Continuo insistindo que, como personagem – como ‘dramaturgia’ – é maior que a vida. Como ainda não revi o filme, espero fazê-lo de retornar ao assunto. Estava planejando ver alguma coisa do É Tudo Verdade e, à noite, 21 h, passar pelo CineSesc para dar um alô a Maria Ribeiro, que fez este belo docunmentário sobre Domingos Oliveira. Acho que gosto de ‘Domingos’ (o filme) porque tem um caráter inacabado, como se fosse um rascunho de um grande personagem, sem ligar muito para o acabamento formal. Um filme imperfeito? Talvez, como o personagem, a vida, e por isso mesmo um filme que reivindica uma cumplicidade (à qual me entrego). Mas estou sendo atropelado pelos meus compromissos do dia. Não me lembrava que aceitei participar de uma atividade na Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo. Vamos lá! Antes, de qualquer maneira, quero ver ‘Sobreviventes’, de Miriam Chnaiderman e Reynaldo Pinheiro, à tarde, 15 h, no próprio CineSesc. E, à noite, 19h30, no Eldorado, não se esqueçam de que tem ‘O Equilibrista’, documentário vencedor do Oscar de C. Liteski, integrando as Premières Cinemark. O filme é muito interessante. A imagem das torres gêmeas virou um símbolo de destruição sobre a qual a administração George W. Bush, estimulando a paranóia, estruturou sua política antiterror que isolou os EUA no mundo. Uma das promessas de campanha de Barack Obama era justamente enterrar essa fase. No alvorecer da era Obama, a Academia de Hollywood já premiou o filme que restaura a imagem das torres, lembrando o francês que estendeu um fio de aço entre as duas para exercer seu ofício de equilibrista. Metaforicamente, é um filme muito rico. Restabelecimento de uma imagem – e de um conceito do que é ser americano -, busca do equilíbrio (na arte e na política). Muito interessante. E é de graça! Cheguem cedo para garantir o ingresso!