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Bom de voto

Luiz Carlos Merten

31 Outubro 2012 | 09h58

Ando bem de eleição e, depois de emplacar meu candidato para a Prefeitura de São Paulo, emplaquei ontem também o prêmio da crítica entre os filmes da Mostra. A votação foi feita no restaurante Zéffiro, ao lado do Shopping Frei Caneca, éramos mais de 20 à mesa e nunca tivemos uma votação tão festiva, tão alegre. O anúncio será feito amanhã à noite e até lá estou proibido de anunciar o vencedor. Margarida Oliveira e Maria do Rosário Caetano me ‘admoesteram’ a não cometer indiscrições no blog, razão pela qual paro aqui, só acrescento que votamos direito. Para permanecer na Mostra, só quero dizer que a versão restaurada de ‘Lawrence da Arábia’, hoje à noite no CineSesc, é daqueles programas que fazem acelerar o coração do cinéfilo. A entrada em cena do xeque Ali (Omar Sharif), quando El Aurens (Peter O’Toole) viola o poço no começo; o gesto amplo de Auda Butai (Anthony Quinn) convidando Aurens à sua residência de verão, Vadi Rann; e a maneira afetada como Faiçal (Alec Guinness) diz a Lawrence e Ali ‘Go my children, porque a guerra acabou e agora começa a política’, todas essas imagens e falas fazem parte das minhas experiências inesquecíveis no cinema. Ninguém filmou o deserto como Freddie Young para David Lean – nem Vittorio Storaro para Bernardo Bertolucci em ‘O Céu Que Nos Protege’. E as cenas que tiram o personagem de O’Toole do armário – ele de branco, ondulando sua capa contra o sol, no alto do trem – não perderam nada da força. Violado pelo bei turco (Jose Ferrer), Lawrence vai levar sua violência ao extertior, como forma de destruir os outros, mas ao fazê-lo ele se destrói a si mesmo e a desconstrução do plano sequência quando mata até perder as forças e enxovalhar de sangue a sua roupa é uma das coisas mais intensas e dolorosas que vi na tela. Grande Lean – com exdceção de ‘Doutor Jivago’, que tem belas cenas, ele consegue ser bom até quando é ruim. Lean tinha o segredo do épico intimista. E falou sobre as revoluções, como cético, de um jeito que não se compara a ninguém. Nem a Eisenstein, que, de certa forma, idealizou a Revolução Russa.