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Luiz Carlos Merten

10 Setembro 2008 | 14h36

Não cheguei a comentar com vocês, mas assisti ontem à tarde a ‘Perigo em Bangcoc’. Fui sem muita expectativa, aliás, nenhuma, até porque tenho certa implicância com Nicolas Cage como herói de ação. Para dizer a verdade, tenho essa implicância como ator dramático em geral, porque nunca engoli que ele tenha recebido o Oscar – por ‘Despedida em Las Vegas’ – num filme em que a atriz é muito melhor e Elisabeth Shue não ganhou nada, vejam a injustiça da tal academia. Mas, às vezes, o sobrinho do tio Coppola me surpreende, como aqui. Nunca tinha ouvido falar nos Pang Brothers – Oxide e Danny – e, portanto, não sabia que o filme em questão é o remake norte-americano do primeiro longa tailandês que eles fizeram, ‘Bangcoc Dangerous’, de 1999. No original, o assassino de aluguel é surdo. Na nova versão, a garota com quem ele se envolve, contrariando uma das regras de sua profissão – não criar vínculos –, é que é surdo-muda, o que já me pareceu um toque de delicadeza dos irmãos. De repente, a barulheira dos filmes de ação atuais é quebrada para sugerir o mundo de silêncio da garota, com uma leve musiquinha de fundo. Gostei, até porque a atriz é ótima, além de bonita e agora vou delirar um pouco (retirem as crianças da sala, perdão, do blog). Do pouco que conheço do cinema tailandês, os filmes do Apichatong Weerasetakul, a Tailândia é um país de gente muito bonita, sejam mulheres ou homens, e isso, obviamente, deve ter a ver com o fato de o país ser um dos paraísos do turismo sexual no mundo. Não estou defendendo, notem bem, apenas reportando e tentando entender. Mas eu adorei a relação do Cage com o garoto thai que se torna seu discípulo. Achei bonita a história da tromba do elefante e acreditei piamente – sou incorrigível – que o profissional pudesse ser atingido pela corrente de solidariedade humana que o golpeia na hora em que, segundo o bom senso, ele deveria sair de cena. Desde que vocês não vão com muita sede ao poste, ‘Perigo em Bangcoc’ tem qualidades. Mas, agora, por falar em cinema de ação, bom mesmo é ‘Efeito Dominó’, de Roger Donaldson, com o grande Jason Statham, que acaba de sair em DVD da Imagem. Não tem nada melhor como cinema-pauleira.