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Blogueiro à beira de um ataque de nervos

Luiz Carlos Merten

17 Março 2018 | 12h13

Confesso que estou aqui à beira de um ataque de nervos, preocupadíssimo por haver salvado o post anterior. Por uma circunstância, os filmes de que mais gostei na Aurora deste ano foram Rebento e Navios de Terra, que nem era da Aurora. Um filme de mulher feito por homem, um de homem feito por mulher. Não defendo que seja assim – não! -, mas nesse caso foram filmes que me atingiram e achei muito interessantes. Estamos vivendo um período de patrulhamento e cobrança enormes. Estou na redação do Estado e fiz um destaque de TV para segunda sobre O Filme de Minha Vida, aproveitando que Johnny Massaro está fazendo um ótimo trabalho de composição na novela Deus Salve o Rei. Por conta do joelho, que dói no final da tarde, certamente pelo esforço do dia todo, tenho ficado em casa nesse horário para colocar gelo. Comecei a ver a novela e confesso que tenho me divertido com Johnny, com Tata Werneck. Achei que a trama poderia sofrer ataques por causa do garoto que deixa de ser soldado para ser cozinheiro no palácio, enfrentando para isso o preconceito do próprio pai. ‘O que vão dizer do meu filho, etc?’ Fui pesquisar o nome do rei, que havia esquecido, e encontrei que a novela tem estado sob fogo cruzado nas redes sociais por causa da atriz que usou truque – fat suit – para engordar. O recurso provocou um festival de críticas de nutricionistas e a rejeição do público. Lincado com isso encontrei uma autocrítica de Gwyneth Paltrow por haver feito a obesa na comédia dos irmãos Farrelly, O Amor É Cego. Adorava a incorreção dos Farrelly e, no caso específico desse filme, o bacana era o coração mole dos irmãos, que trabalhavam o desfecho para que manteigas derretidas como eu chorassem e tudo voltasse aos eixos. O Amor É Cego não pode mais. Virou representação do incorreto. Entendo tudo isso, apoio, mas pelo visto vou ter de repensar… Tudo! Por exemplo. Grande Otelo como Julieta na cena do balcão em Carnaval no Fogo. Uma paródia de Romeu e Julieta por Watson Macedo. A Atlântida instituiu, até como forma de resistência cultural, uma estética da paródia. Essa cena era emblemática. Pode, não pode mais? E Violeta Ferraz como a nordestina de maus bofes? Contra tudo e todos, sempre achei Violeta a maior, e melhor que a própria Dercy Gonçalves. Será que esse tempo todo estive equivocado, atrelado a um estereótipo preconceituoso? Vou manter o post anterior, não vou deletar, mas por via das dúvidas vou tentar rever Rebento, Baixo Centro… A Censura político/partidária – Dilma, Temer, Lula – virou moleza, mesmo na chamada grande imprensa. Difícil está sendo navegar nas águas turbulentas do politicamente (in)correto.