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Cultura » Biniez e seu ‘Gigante’

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Luiz Carlos Merten

20 Agosto 2009 | 15h12

Havia tentado falar com o diretor Adrián Biniez, de ‘Gigante’, mas ele está num festival na Holanda e, segundo me informaram, num quarto sem telefone, o que o levou a me pedir que enviasse perguntas por e-mail. Gostei bastante das respostas, mas o Biniez se estendeu demais, o texto estourou e eu só não publico a entrevista na íntegra, no blog, para não furar a edição de amanhã do ‘Caderno 2’. Mas não resisto a dar uma ‘palhinha’. O minimalismo do filme uruguaio que foi um dos vencedores do recente Festival de Gramado – e que eu prefiro a ‘Teta Assustada’ – me levou a perguntar a Biniez, argentino de nascimento (e ator de ‘Whisky’), sobre outros diretores ‘minimales’, como Tsai Ming-liang e Robert Bresson. Ele respondeu, muito bem por sinal, mas acrescentou uma informação que achei bem interessante. Quando estava prestes a filmar, descobriu o cinema de Judd Apatow, que também terminou sendo uma influência, mais no espírito do que na forma. Gosto tanto de ‘Gigante’… Não compreendo como, nem por que…, o júri de Berlim e, depois, o de Gramado preferiram o filme de Claudia Llosa. Aliás, o júri de Berlim até entendo. A presidente era uma mulher, Tilda Swinton. Tinha outras mulheres, feministas de carteirinha. Dá para entender por que elas se interessaram mais pela Fausta de ‘La Teta’ do que pelo Jara de ‘Gigante’, já que o segundo, segundo o próprio diretor, é sobre ‘uma certa timidez masculina pós adolescente’, ou sobre ‘um certo romantismo masculino’. Talvez seja mesmo um filme para o olhar dos homens, mas agora é para mulheres – Biniez escreveu o papel de Júlia, protagonista feminista, para Leonor Svarcas, com quem era casado. Na época da filmagem, já estavam separados, mas ele manteve a atriz e eu achei isso maravilhoso (muito maduro, nada teen). Posso questionar por que os júris preferiram o filme peruano ao uruguaio, mas o que não entendo, definitivamente, é como o dito júri de Gramado tenha resolvido dividir o prêmio de ator entre o fantástico Horacio Camandulle, o próprio ‘gigante’, e aquele colombiano de ‘Nochebuena’, Matías Maldonado, que não é tão bom (e o filme, muito menos). Enfim, amanhã estreiam os dois filmes, o de Biniez e o de Claudia Llosa. Há um ciclo do cinema argentino em andamento no CCBB, o Festival de Curtas, iniciado ontem, tem uma seção intitulada ‘Curta Chile’, e na semana que vem o Reserva Cultural inicia seu 2º Festival de Cinema Chileno. Meninos e meninas, a América Latina é aqui. Só espero reencontrar aquela garotada que enchia o Memorial da América Latina no começo de julho, durante o 4º Festival Latino-Americano de São Paulo.