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Luiz Carlos Merten

23 Setembro 2007 | 13h56

Rio – Rapidinhas. Cheguei ontem à noite correndo no Cine Odeon BR, mas não era lá a sessão de A casa de Alice, que ocorreu ali do lado, no Palácio. Encontrei Ilda Santiago na porta do Odeon, escoltando um cara… Quem é? Eu conheço. Bille August! Ele está aqui mostrando Goiodbye Bafana. Bille vai embora daqui a pouco. Foi muito simpático. Marcamos uma entrevista para hoje e eu perdi a hora. Fui ver Ainda Orangotangos, de Gustavo Spolidoro, na sessão da meia-noite de ontem, no Odeon. Saí para comer alguma coisa, cheguei no hotel e desmaiei. Não me chamaram, como pedi. M…! Vou ver se ainda falo com Bille, que volta hoje, não sei se para os EUA ou para a Europa. Não gostei muito de Goodbye Bafana, como não gostei de O Último Rei da Escócia. Cansei desses filmes sobre o lado de cá filmados com a ótica de lá, onde a tragédia do Haiti ou a do apartheid são só fundos para que branquinhos ingleses ou americanos abram os olhos para o que ocorre no mundo. Mas tenho o máximo respeito pelo grande narrador clássico que August já foi, em Pelle, o Conquistador e As Melhores Intenções, que lhe valeram suas duas Palmas de Ouro. Duas! O próprio A Casa dos Espíritos sofre dos problemas decorrentes da co-produção e do elenco internacionais – Jeremy Irons bigodudo fazendo um chileno, pelamor de Deus! -, mas é muito bem narrado, no sentido clássico. Goodbye Bafana é menos. O classicismo de August virou uma coisa acadêmica mesmo.