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Luiz Carlos Merten

13 Outubro 2008 | 18h59

Tudo bem, vocês vão dizer que a mídia foi intensa e que a presença de astros internacionais como Julianne Moore, Mark Ruffalo e Danny Glover podia até alimentar uma expectativa maior de público. Pode ser, mas ‘Ensaio sobre a Cegueira’ é um filme duro, que não facilita a vida do espectador, como de resto o livro, impenetrável para mim, de José Saramago. Que ‘Cegueira’ já tenha ultrapassado 580 mil espectadores, superando, em cinco semanas, a bilheteria que “O Jardineiro Fiel’ demorou 13 para alcançar, acho que dá uma idéia de como o filme de Fernando Meirelles terminou atingindo, senão a massa, pelo menos uma parcela considerável do público pagante no País. O recordista do ano continua sendo ‘Meu Nome não É Johnny’, de Mauro Lima, com mais de 2,1 milhões de espectadores, mas tive a grata surpresa de saber que outro nacional também está atingindo um número bastante digno. ‘A casa da Mãe Joana’, de Hugo Carvana, já fez 367 mil espectadores e, com este filme, ocorre algo curioso. Ele não vai bem de sexta a domingo, mas registra altos índices de freqüência de segunda a quinta-feira, o que indica que seu público está se beneficiando das promoções nestes dias. Se você fala com qualquer produtror brasileiro, ele vai dizer, com base na experiência ou em pesquisas, que o público não rejeita o filme nacional, mas o espectador que gosta (mesmo) é o de baixo poder aquisitivo e, aí, o preço do ingresso e a concentração das salas em shoppings prejudicam seu acesso a uma produção que, em princípio, ele tenderia a prestigiar. Está ocorrendo com ‘A Casa da Mãe Joana’. Não acho que o filme seja tão bom quando os primeiros do ator e diretor Carvana, ‘Vai Trabalhar, Vagabundo’ e ‘Bar Esperança’, mas é melhor do que o anterior, ‘Apolônio Brasil’, e Carvana, por seu entusiasmo juvenil e vontade de fazer humor para grandes platéias merece este resultado digno, num ano que não está sendo generoso com o cinema nacional.