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Luiz Carlos Merten

23 Setembro 2007 | 12h27

RIO – Vivi ontem meu dia de louco no Rio. Pela manhã, corri para ver se localizava uma lan house, mas não havia nenhuma por perto do hotel em que estou e era longe para ir à sede do Festival do Rio, na tenda de Copacabana, ou à suscursal do Estado, porque às 12 horas um carro da Bienal vinha me buscar. Meu Deus! Nunca havia visitado a Bienal de Literatura do Rio e minha primeira visita foi como autor, com o mesmo tratamento reverente dispensado a Ziraldo, Eduardo Bueno e a vários membros da Academia Brasileira de Letras, que estiveram no mesmo horário em que Marcos Didonet, Rodrigo Fonseca, a Júlia (da Editora Legere) e eu na sala VIP do pavilhão Azul. A Bienal acolheu ontem o lançamento do livro 5 + 5, com que o Festival do Rio mapeia os dez, na realidade nove, maiores filmes da Retomada iniciada por Carlota Joaquina, de Carla Camurati, em 1995. Os cinco maiores sucessos de público foram listados pelo Filme B, os cinco maiores de crítica foram apurados pela Fipresci, a Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica, e só um filme trafega nas duas listas – Cidade de Deus, do Fernando Meirelles. Escolhi fazer a parte dos preferidos do público, um trabalho muito legal, que me levou a entrevistar todo mundo que, da idéia à tela, ajudou a construir o sucesso de 2 Filhos de Francisco, Carandiru, Se Eu Fosse Você, Cidade de Deus e Lisbela e o Prisioneiro. Rodrigo fez os textos sobre os sucessos de crítica (menos Cidade de Deus) e Cacá Diegues fez um lindo ensaio de abertura, contextualizando a Retomada e dando uma geral sobre a história do cinema brasileiro como um todo. Houve um debate, com sala cheia, sobre Cinema e Literatura, do qual participamos Cacá, Rodrigo, Daniel Filho e eu, com mediação do Didonet. Sei que tem gente que se horroriza à simples menção da palavra mercado, quando se fala em cinema, e muitas vezes não são nem virgens, porque já andaram por todas as bocas do lixo do cinema brasileiro. Admiro a integridade artística, quero mais é ousadia, mas não sou louco de desprezar o mercado. A ida à Bienal foi muito valiosa. Todo mundo enche a boca para falar de literatura, mas estava lá – está, ainda hoje – um imenso mercado de livros. Achei genial a experiência. Na terça, 5 + 5 será lançado no festival, às 18h30, com direito a debate (aí sobre os filmes listados) e autógrafos, no Centro Cultural da Justiça Federal, em frente ao Cine Odeon BR, na Cinelândia. Mas a questão é que só consegui voltar lá do Riocentro às 8 da noite, a tempo de (re)ver A Casa de Alice. Deixem-me dar, no post seguinte, uma geral do Festival do Rio, como o estou vendo.