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Cultura » ‘Bette Davis deve estar revirando…’

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Luiz Carlos Merten

14 Dezembro 2009 | 15h58

Pegando carona no post anterior, sobre a afirmação da revista norte-americana – qual? – sobre Sam Worthington ser o maior ator de Hollywood atualmente, quero dizer que ontem tomei canseira de quase uma hora, parado em frente ao Conjunto Nacional, na Av. Paulista, à espera de um amigo que ia me apanhar para a gente jantar num grupo. A Paulista estava travada, milhares de pessoas passavam de carro, tirando fotos daquelas luzes todas com seus celulares. Imagino que tenha sido para ‘contestar’, pois, de repente, no meio de toda aquela confusão, passou um carro com uma garotada aos gritos e um dos caras botou a bunda de fora, pela janela e ficava requebrando. Era o legítimo cara de c… É mole? Bom, parado, ali, aproveite para dar uma olhada nas capas das revistas em exposição na banca. Havia esta ‘Vanity Fair’ com Meryl Streep na capa. A revista comemora 30 anos de ‘nossa maior atriz’, de certo tomando como base ‘Kramer Vs. Kramer’, de Robert Benton, que venceu os principais Oscars de 1979, incluindo melhor filme, diretor, ator (Dustin Hoffman) e atriz coadjuvante (Meryl). Seriam 31 anos se o ponto de referência fosse ‘O Franco Atirador’, de Michael Cimino, tambénm vencedor, mas em 1978. Presumo que o perfil seja acompanhado de uma entrevista, porque há uma frase pinçada, na capa, que achei ótima. Diz Meryl – ‘Bette Davis deve estar revirando no túmulo. Aos 60 anos, eu ainda estou fazendo a heroína romântica!’ Meryl fala, com certeza, do megassucesso ‘Mamma Mia!’, que descobri outro dia ser a maior bilheteria de todos tempos na Inglaterra. Grande Meryl. Algumas de suas interpretações estão entre as mais perfeitas registradas por câmeras de filmar. As que mais me encantam talvez sejam em ‘A Mulher do Tenente Francês’, de karel Reisz; ‘A Escolha de Sophia’, de Alan J. Pakula, que lhe valeu seu Oscar de melhor atriz; e ‘Entre Dois Amores’, de Sydney Pollack. Se estiver esquecendo alguma das grandes, daqui a pouco me lembro e vai ser pretexto para outro post. Lembro-me de coleguinhas que se irritavam com Meryl. Sérgio Augusto implicava com sua mania de fazer sotaques e comparou-a, nos anos 1980, a Greer Garson. De minha parte, eu a acho sublime e só lamento não ter visto no Central Park, em Nova York, a interpretação de Meryl Streep como Mãe Coragem. Quando a entrevistei em Berlim, por aquele filme do Altman – ‘A Prairie Home Companion’ -, ela já falava no seu ‘Brecht’. Como as maiores atrizes, e os grandes mitos, Meryl não se enquadra em nenhum modelo fácil de ‘beleza’. Mas uma vez na tela, ou ao vivo, não dá para desgrudar o olho dela. Comigo é assim.

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