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Berlinale (4)/ Palmas para George Clooney

Luiz Carlos Merten

11 fevereiro 2016 | 13:27

BERLIM – Havia Tilda Swinton, Josh Brolin, Channing Tatum, e os Coen, naturalmente, na mesa. Mas a coletiva de Hail, Caesar!, Ave, César!, após a apresentação do novo filme de Ethan e Joel – fora de concurso -, na abertura da Berlinale, foium número exclusivo de George Clooney. Ele faz Baird Whitlock, o astro dos anos 1950 que é sequestrado por ‘cummies’ (comunistas) no set de um épico romano que está sendo filmado em Hollywood. Baird sofre lavagem cerebral e volta para o estúdio repetindo slogans da luta de classes. Josh Brolin, como Eddie Mannix, o chefão do estúdio, que mantém todo mundo na linha, dá-lhe três ou quatro bofetadas para que recobre a ‘razão’. “Não resisto a fazer tudo o que esses caras (os Coen) me oferecem, mas, quando me disseram que escreveram Baird para mim, fiquei pensando – ‘Será que eles acham que sou tão idiota assim?’ Baird é uma toupeira!” A uma jornalista que fez uma pergunta interminável, repleta de detalhes íntimos (o que ele gosta ou não), respondeu – “Are you flirting with me? Be aware, Young lady, I’m a married man” – “Está flertando comigo? Cuidado, mocinha, sou um homem casado.” E a outro jornalista, que perguntava se era comunista – “Recuso-me a responder a essa pergunta e estou garantido perlas Preimeira Emenda (da Constituição dos EUA). O senhor não tem vergonha de me fazer essa pergunta?” Já escrevi aqui no blog que George Clooney criou um personagem de si mesmo. Representa essa persona todo o tempo. Imagino que deva sere cansativo – para os que o cercam e para ele mesmo. Mas, em pequenas doses – uma vez ao ano, em Cannes, ou Berlim -, é ótimo. E ele representa a boa consciência de Hollywood. Um jornalista observou que, enquanto ríamos na coletiva, muita gente estava morrendo nos conflitos que ocorrem a toda a hora, ao redor do planeta. Lembrou Syriana. George Clooney não tem vontade de fazer mais filmes engajados? De usar seu prestígio para denunciar a violência das guerras desse mundo? “Fazer um filme é um processo demorado, que toma tempo. A comunidade cinematográfica nunca oferece respostas rápidas. Um filme demora em torno de dois anos para ser feito. Tenho um interesse particular pelo Sudão. Já tentei fazer um filme sobre assunto, mas não encontro o ângulo. Para chegar a interessar o público de todo o mundo precisamos de histórias, personagens. Não é um processo fácil.” Palmas para George Clooney. Mr. Entertainment, o Sr. Diversão, é um homem atento do seu tempo.