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Berlinale (15)/Hong sang-soo!

Luiz Carlos Merten

16 Fevereiro 2017 | 08h20

BERLIM – Confesso que não tenho muita vontade de falar de Pendular, o filme de Júlia Murat a que assisti ontem à noite no Panorama. Um casal de artistas. Ela, bailarina, ele, escultor. O processo criativo. Vivem num estúdio imenso. Trabalham, trepam. Fiquei pensando comigo quem paga aquela conta. Devem ser os únicos artistas brasileiros que não têm problemas de orçamento, patrocínio. O mundo exterior não existe. Basta o contato visual e o toque. Basta? Num momento, ele diz que quer fazer um filho nela. Lascou. Acaba o sonho e a rua adentra a história. A primeira coisa que aparece é um cara sem braço. Jesus! Crime delicado, de novo, não. Enfim, devo ter visto o filme diferente dos outros. Quero deixar aberta a porta para gostar. Porque é realmente bonito, intenso, mas… Daqui a pouco – meio-dia daqui, 9 horas daí – teremos Joaquim, de Marcelo Gomes. A grande hora do Brasil, com protesto anunciado e tudo. Em Pendular, quando Júlia se referiu à preocupação com o futuro da Ancine, houve ‘Fora, Temer’. O risco, como já falou João Moreira Salles no Estado, é a solução autoritária – em 2018, ou antes. A República desmantelada. À espera de Joaquim, vi agora pela manhã o novo Hong Sang-soo. Amei o Aki Kaurismaki e o Sebastián Lelio, que têm mais a cara da Berlinale e são muuuuito premiáveis, mas On the Beach in the Night Alone é um regalo. Sang-soo faz sempre o mesmo filme. Encontros e, principalmente, desencontros. Uma personagem feminina adorável – a atriz de A Criada. A praia no inverno. O Quinteto em C Menor de Shubert. O espírito da nouvellew vague reencontrado na Coreia. Tã/tãtã… O cinema é uma coisa maravilhosa.