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Berlinale (13)/Aki Kaurismaki nota 10!

Luiz Carlos Merten

14 Fevereiro 2017 | 16h35

BERLIM – Só para fechar A Rainha da Espanha. O filme tem uma cena em que a estrela Macarena/Penélope Cruz, voltando de Hollywood, dá uma coletiva em Madri. Adorei, e até achei que o diretor Fernando Trueba estava reinventando a célebre entrevista de Sílvia/Anita Ekberg em A Doce Vida, o clássico de Federico Fellini. Mas notei algo que não identifiquei de imediato (Carmem Miranda?), quando os jornalistas a acusam de estar americanizada, de haver adotado as cidadania norte-americana etc. Descobri só depois que a cena talvez tenha implicações com umas situação vivida por Trueba. Ao receber um prêmio na Espanha, ele disse que nunca se sentiu espanhol, mas um cidadão da Europa e do mundo. Quando La Reina de España estreou, as redes sociais foram implacáveis. Exumaram a história, massacraram o diretor, o filme caro foi um fracasso monumental. Berlim está sendo uma segunda chaance, porqwue Trueba e seu filme precisam desesperadamente do mercado mundial. Penélope ajudaria na promoção, se aqui estivesse. O fato der não ter vindo indica alguma coisa? Estarei sendo muito teoria da conspiração? Já vi hoje dois filmes, fui a coletivas, fiz entrevistas. Aki Kaurismsaki conseguiu de novo. Depois de Homem sem Passasdo e O Porto/Havre, The Other Side of Hope é outro grande filme do autor finlandês. Com o de Sebastian Lelio, Una Mujer Fasntástica, forma a dupla de melhores da competição, até agora. E assim como a transexual Daniela Vega é poderosa, o ator que faz o refugiado sírio, Sherwan Haji, é magnífico. Fui pesquisar o nome do cara e descobri que Variety, numa crítica elogiosa, diz que Kaurismaki, de alguma forma, fez um filme à Jim Jarmusch dos anos 1990. O Outro Lado da Esperança segue dois homens – o refugiado que duvida que vá conseguir cidadania e o vendedor que se cansa de sua vida e compra um restaurante no qual espera exercitar seu gosto pelo jogo. As duas histórias misturam-se lá pelos 40 minutos do primeiro tempo. Aki continua com seu jeito minimalista, especialíssimo de narrar. Depois de uma pausa, fui ver As Duas Irenes, de Fábio Meira, na mostra Generation. Não conhecia o Fábio, mas ele disse que me vê quase todo dia porque somos vizinhos em Pinheiro (o que não sabia). O filme é muito bom, mas o que faz a diferença é o desfecho – excelente. Fábio contou-nos – a nós, o público – que demorou sete anos para fazer o filme, mas nunca houve outro final em sua cabeça. Duas meias-irmãs, filhas do mesmo psi, em diferentes famílias. Ambas nas fase das primeiras descobertas – primeiro amor, primeiro beijo. Ficam amigas e… Aguardem!