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Luiz Carlos Merten

12 Fevereiro 2008 | 21h12

BERLIM – Que dia! Corri tanto, da manhah à noite, que nem tive tempo de postar. Já é quase meia-noite, estou redigindo aqui do lobby do hotel, morto de cansado. Vou fazer um post por partes.
1. Naoh falei hoje com o Padilha, mas Carlos Helio de Almeida, que estecve com ele, me disse que o diretor está menos aborrecido com a crítica que saiu na ´Variety´ dizendo que o filme dele é fascista (e comparando o Capitao Nascimento a Rambo) do que com o que há de inexato no texto. Padilha é racional até o limite. O cara que detona o filme dele erra na populacao brasileiro e diz que o diretor responsabiliza a polícia carioca pela circulacao do DVD pirata de ´Tropa de Elite´. É o que basta para ele perder a credibilidade com Padilha, que desde o Brasil, em setembro, naoh faz outra coisa senaoh dizer que Nascimento naoh é um herói (embora a populacao carente de seguranca assim o considere).
2. Há tempo que eu andava com o Mike Leigh atravessado. Cheguei a pensar que me havia enganado sobre ´Verdades e Mentiras´ diante de um filme que eu acho horrível (e muitos coleguinhas adoram,´O Miistério de Vera Drake´). Voltei às boas com ele. ´Happy-Go-Lucky´ é uma comédia deliciosa que Leigh fez para criticar o miserabilismo e o pessimismo (e para mostrar que o que nos salva é o pensamento positivo). Engana-se quem pensa, por isso, que ele ´arreglou´. O filme é crítico, divertido e a atriz Sally Hawkins disparou na püreferencia para o premio de interpretacao. É impressionante a empatia do público daqui com o filme. ´Happy´foi o mais aplaudiido na sessaoh de imprensa, até agora. Difdicilmente o júri presidido por Costa-Gavras vai ignorá-lo, principalmente depois do discurso dele de que a políticas que lhe interessa é a do cotidiano.
3. Madonna já está na cidade. anunciam os jornais da noite, que trazem na capa a foto da supersstar que apresenta amanhah sua estréia na direcaoh, ´Filth and Wisdom´. Naoh curto muito a Madonna, mas quero ver sem preconceito. Depois do vendaval Rolling Stones, ela chega como um tsunami. O filme passa pela manhah e a coletiva é no meio da tarde. Uma hora antes, a sala já estará fechada e o acesso, restrito. De minha parte, vou evitar redigir meus textos de amanhah no Palast para evitar novo confronto com os segurancas.
4. Fui ver agora um Bunuel que naoh conhecia, o documentario ´Tierra sin Pán´. Sempre achei uma contradicaoh em termos que um cineasta surrealista fizesse um documentário taoh verista, mass Bunuel naoh resiste e poeh imagens que parecem coisa do imaginário dele. O filme tem uma piada que me parece maravilhosa. O narrador é completamente parcial, engajado no movimento republicano espanhol. A cena é a que registra uma festa bárbara em Las Hurdes, a terra sem paoh do título, um dos lugares mais pobres da Espanha (e do mundo) na época, anos 30. Hoje ouco dizer que naoh é mais assim. Cavaleiros a galope precisam arrancar a cabeca de um galo preso numa corda. O narrador diz que gostaria muito de analissar as implicacoes psicanalíticas daquele ritual, mas acrescenta que agora ´naoh dá´. É hilário. Vi o filme com uma platéia de jovens e a garotada quase morreu de rir.