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Luiz Carlos Merten

13 Dezembro 2008 | 18h24

Não tinha reparado, mas a Berlinale já começou a anunciar os filmes que integrarão a mostra principal deste ano, em fevereiro. Recebi um e-mail anunciando que já foram selecionados – ‘Alle Anderen’, de Maren Ade, da Alemanha; ‘Rage Great Brittain’, de Sally Potter, da Inglaterra, com Judi Dench, Jude Law e Dianne Wiest; ‘The Dust of Time’, de Theo Angelopoulos, da Grécia (em co-produção com a Rússia!), com Irène Jacob, Michel Piccoli e Willem Dafoe; ‘Forever Enthralled’, de Chen Kaige, da China, com Zhang Ziyi; ‘The Messenger, do estreante Oren Moverman, dos EUA, com Ben Foster e Woody Harrelson; ‘London River Algeria’, de Rachid Bouchareb, co-produção franco/argelino/britânica, com Brenda Blethyn e Sotigui Kouyate; ‘Mammoth’, de Lukas Moodysson, da Suécia, com Gael Garcia Bernal e Vanessa Williams; ‘The Private Lives of Pippa Lee’, de Rebecca Miller, dos EUA, com Robin Wright Penn, Alan Arkin, Keanu Reeves, Maria Bello, Julianne Moore e Winona Ryder; ‘The Reader’, de Stephen Daldry, co-produção entre EUA e Alemanha, com Kate Winslet e Ralph Fiennes; e ‘A Pantera Cor de Rosa 2’, de Harald Zwart, dos EUA, com Steve Martin, Jean Reno, Emily Mortimer e Andy Garcia. Alguns desses filmes seguramente vão passar fora de concurso – ‘A Pantera’ -, mas já temos aí uma pré-seleção com nomes interessantes (e possibilidades de entrevistas que já me deixam babando – Angelopoulos, Judi Dench, Irène Jacob, Michel Piccoli etc). Sobre Stephen Daldry, lembro que entrevistei seus atores (e atrizes), mas não o próprio, quando ‘The Hours’ concorreu em Berlim. Revi outro dia na TV ‘Billy Elliott’. Sei que é um filme que muita gente odeia – viadagem, o pai que fura a greve para pagar a sapatilha do filho -, mas é tão bem filmado e a emoção me parece tão genuína, aquela família tão verdadeira, que eu me envolvo com cada um de seus integrantes e fico sempre siderado. Aquele desfecho – os prepativos de bastidores no teatro, Billy, adulto, que avança e dá aquele salto congelado pelo diretor – me faz quase enfartar. E tem a avó. Quando o garoto está se preparando para ir embora, ela diz, do nada, que também poderia ter dançado, que poderia ter sido bailarina. Depois, ela abraça o neto e sem uma palavra o empurra para a vida, consciente de que nunca mais o verá. Francamente – tenho pena por quem, sabe-se lá em nome de quais preconceitos, não consegue entrar na magia de ‘Billy Elliott’. Li certa vez que Daldry, consagrado como diretor de teatro, não escolheu fazer o filme (nem gostava particularmente da história). Mas ele queria fazer cinema e era pegar ou largar. Eu, pelo menos, só tenho a agradecer que tenha pegado.