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Luiz Carlos Merten

13 Novembro 2010 | 11h42

BUENOS AIRES – Quero ver, às 2 da tarde, “Les Plages d.Agnès”, uma das atraÇoes de hoje do festival 4 + 1 na Argentina. Nao sei se já passou em Sao Paulo, mas é um filme lindo. Mudando de assunto, morreu Luís García Berlanga. Luís García quem? Agora sou eu a viajar no tempo. Nos anos 1950/60, a Editora Globo era tao forte em Porto Alegre que editava a “Revista do Globo”. A revista tinha um correspondente internacional, Louis Wiznitzer, espero que vesteja escrevendo direito o nome, que falava muito de cinema. E havia um crítico, Luiz Carlos Lisboa, que foi muito importante nos meus verdes anos, embora eu nao me lembre de já haver falado sobre ele aqui. Luiz Carlos Lisboa ficava a meio caminho entre a crítica e (pré) imprensa de celebridade. Foi através dele que ouvi falar pela primeira vez dos autores espanhóis que esatavam sacudindo a censura do generalíssimo Franco. No circuito comercial, a distribuidora Condor arrebentava em Porto com, os filmes de Joselito, Marisol e Sara Montiel. LCL me falava de Berlanda e Juan Antonio Bardem (tio, ou tio avo, de Javier Bardem). Os dois estrearam juntos com um longa a quatro maos chamado “Pareja Feliz”, ou coisa que o valha. Depois, seguiram caminhos distintos, nunca opostos. Bardem foi fazer “Calle Mayor”, Berlanga e seu roteirista, Rafael Azcona, um mestre do humor virulento (ia escrever “negro”, mas acho que virou politicamente incorreto), estouraram com “Bienvenido Mr. Marshall”, em que satirizaram o impacto da ajuda norte-americana na reconstruÇao economica e política da Europa, após a 2.a Guerra. E, depois de “Mr. Marshall”, que tanto escandalo provocou – sendo considerado ofensa, ou provocaÇao, ao franquismo -, ele fez “El Verdugo”, investindo contra a pena de morte (o garrote) como uma das armas do regime. No comeÇo dos anos 1960, “Placido” foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Trinta anos mais tarde, no comeÇo dos 90, tenmho certeza de que ele recebeu o Goya, mas nao me lembro por qual filme. Teria de pesquisar. Berlanga foi importante na fase pré-Almodóvar. Azcona, cria dele, ou de seu cinema, está na base da virulencia de Marco Ferreri, com quem trabalhou, no comeÇo da carreira do italiano. Nao podia deixar de fazer esse registro sobre a importancia de Luís García Berlanga.