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Luiz Carlos Merten

10 Novembro 2007 | 16h51

Depois de falar com Lauro e Eduardo Escorel, ontem à tarde, fiz mais uma entrevista – esta, internacional -, com Ben Affleck, sobre seu filme ‘Medo da Verdade’, que vi na Mostra (e do qual gostei). Escrevi aqui no blog que ‘Medo da Verdade’ é um dos filmes mais impressionantes – entre os norte-americanos – que vi recentemente. Um casal investiga o desaparecimento de uma menina e, em torno do fato, o mundo inteiro vai implodindo, a começar pelo casal, depois a família,a polícia, as instituições em geral. Antes de chegar no Ben, a assessoria tinha me pedido que não falasse no caso da garota inglesa, Madeleine (não é?), pois ele já está cansado de dizer que seu filme não é sobre ela – até por que, se fosse, ele estaria fazendo graves acusações aos pais da garota. Ben me falou que a origem do filme é o romance de Dennis Lehane, mesmo autor de ‘Mystic River’, que Clint Eastwood filmou (e já trata de abuso infantil). O mais interessante no papo com Ben Affleck foi quando observei para ele – o filme é tão apocalíptico, não oferece nenhum refresco ao espectador no desfecho (o que é raro na produção, mesmo alternativa, dos EUA). Ninguém tentou convencê-lo a mudar, ou a dar este refresco? Ele respondeeu que nunca ninguém interferiu no desfecho porque para ele era um dogma. O filme só poderia terminar daquele jeito. Qualquer tentativa de aliviar o desfecho seria falsa. O filme é crítico em relação à sociedade norte-americana? É uma metáfora? Ele diz que é crítico sim, e é tudo muito claro, mas não cabe a ele, como autor, dizê-lo. O importante é que o público perceba.